Entre as décadas de 50 e 60, os londrinenses tinham um destino certo no período natalino. Durante o mês de dezembro, uma multidão disputava um lugar em uma imensa fila para visitar o presépio da Alfaiataria Dutra, localizada no centro da cidade. Com várias peças que se movimentavam à eletricidade e que eram uma grande inovação para a época, a atração foi restaurada depois de décadas guardada e poderá ser novamente visitada a partir de hoje, no Museu Histórico de Londrina.
Além dos símbolos religiosos, como a manjedoura com um pequeno boneco do menino Jesus que se movimenta e abre os olhos lentamente, o presépio criado por Lauro Dutra Borges possui peças pouco convencionais: Um castelo medieval que abre e fecha as portas, uma casinha de onde sai uma singela princesa vestida de noiva e cumprimenta os visitantes, patinhos de que movem, poço artesiano, roda d'água, casa de ferreiro e monjolo.
"Quando as pessoas perguntavam para meu pai o porquê de determinadas peças que não faziam parte de presépios convencionais ele se justificava dizendo que eram fruto de inspirações que ele tinha. No caso do castelo, por exemplo, ele dizia que era para simbolizar a riqueza dos senhores feudais e criar um contraponto com a pobre manjadoura onde Jesus nasceu", argumenta Sirlei Oliveira Borges, filha do alfaiate falecido aos 75 anos, no ano 2000.
Ainda menina na época em que o presépio era exposto no estabelecimento da família, Sirlei conta que ainda guarda boas lembranças da época. "Meu pai era um visionário, um homem à frente de seu tempo. Ele construiu sozinho de forma artesanal todas as peças em madeira e criou mecanismos elétricos que faziam com elas se movimentassem numa época em que não havia produtos eletrônicos como os que a gente encontra hoje em qualquer esquina. Para montá-lo ele colocava toda a família para ajudar, eu, minha mãe e minhas duas irmãs ajudávamos a criar o céu com estrelas feitas de cartolina. Foi um período muito feliz. Naquela época a gente não tinha sequer ceia natalina, pois nossa diversão era abrir as portas da alfaiataria para que as pessoas pudessem apreciar o presépio", conta.
Sirlei relata que o número de visitantes era tão grande que o pai foi obrigado a contratar um segurança para organizar as filas que dobravam quarteirões. "Vinha gente de cidades vizinhas e até do interior de São Paulo. Muitos chegavam em caminhões lotados de pessoas atraídas pelo encanto do presépio criado pelo meu pai. Para evitar tumulto, ele contratou um segurança que não permitia alvoroço e furadores de fila", relembra.
Segundo ela o presépio foi exposto na vitrine da alfaiataria de 1951 a 1965. "Nosso estabelecimento ficava na Rua Sergipe esquina com a Rua Mato Grosso e era alugado, quando nos mudamos para outro endereço deixamos de expô-lo e ele ficou guardado no forro de casa até o ano 2000, quando foi restaurado e exposto no Museu de Arte. Depois foi doado ao Dom Albano Cavalin, que estava planejando montar um museu de peças sacras. Como o projeto foi arquivado, ele foi doado ao Museu Histórico", relata.

Folia de Reis
O evento de entrega do presépio contará com a participação do grupo de Folia de Reis Mensageiros da Paz. Os 14 integrantes vão se concentrar às 17 horas no Calçadão (em frente ao Banco do Brasil), de onde seguirão até o museu para a Adoração dos Magos no Presépio. O trajeto poderá ser acompanhado pela população.

Serviço:
Presépio da Alfaiataria Dutra
Quando - Visitação de terça-feira a domingo, das 9h às 11h30 e das 14h às 17h
Onde - Museu Histórico de Londrina (R. Benjamin Constant, 900)
Informações – (43) 3323-0082 e 3324-4641

mockup