De volta ao pop folk
Depois de visitar o samba e fazer tributos a Milton Nascimento e Itamar Assumpção Zélia Duncan retorna ao seu habitat natural com o álbum “Tudo É Um”
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de julho de 2019
Depois de visitar o samba e fazer tributos a Milton Nascimento e Itamar Assumpção Zélia Duncan retorna ao seu habitat natural com o álbum “Tudo É Um”
Marcos Roman - Grupo Folha 

Após uma inclusão pelo universo do samba com a gravação do disco “Antes do Mundo Acabar” (2015) e de fazer um mergulho na obra de Milton Nascimento no álbum “Invento +” (2017), Zélia Duncan está de volta ao estilo que a consagrou. A cantora e compositora volta ao pop folk autoral em seu mais recente trabalho, intitulado “Tudo É Um”. O novo CD também marca a retomada da parceria musical com o músico e compositor Christiaan Oyens, com quem a artista dividiu a produção de alguns de seus mais importantes álbuns.
Em “Tudo É Um”, Zélia Duncan investe em antigas e novas parcerias. A faixa que dá título ao álbum é assinada junto com Christiaan Oyens e Chico César. “Chico é um artista muito abrangente e deixa sua marca por onde for. Suas frases melódicas delatam seu sotaque e a guitarrada sugerida é de Rodrigo Suricato. Christiaan cismou com um instrumento antigo, que atende pelo nome de 'Duduk' e descobrimos que um dos especialistas no Brasil é o músico carioca Zé Nogueira que, além de fazer um comovente solo, também nos informou que é um instrumento armênio. Não podia haver faixa mais apropriada para essa mistura toda. Paraíba, Niterói, Armênia, Belém, 'tudo é um, tudo é resto de alguém'”, destaca a cantora.
O cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro contribui com duas composições feitas com Zélia nas faixas “Me Faz Uma Surpresa nasceu assim, com minha voz colada na dele e não deu pra imaginar de outro jeito. O arranjo de metais de Christiaan Oyens foi a enorme cereja do bolo. Orgulho imenso da nossa parceria, que vai render muito mais. Medusa é uma mistura muito precisa de nós dois, uma faixa suingada, maliciosa e libertária, destaque para o eloquente baixo tocado por Kassin. Em tempos de pedra, espero bradar esse refrão com meu público por aí”, diz Zélia.
Com o parceiro de longa data Christiaan Oyens, a cantora compôs “Canção de Amigo” e “Olhos Perfeitos”. “Abrir o disco com “Canção de Amigo” quer dizer muitas coisas. A parceria com Christiaan e o assunto, que também passa por ele, por ser um desses amigos-amores eternos. A letra foi inspirada em três amigas que tenho em Brasília, dos tempos de colégio, que sempre dão um jeito de me ver, quando passo por lá”, comenta Zélia.
A cantora também assina as faixas “Sempre os Mesmos Erros” (com Fred Martins), “Só pra Lembar” (com Dani Black), “Breve Canção de Sonho” (com Dimitri BR) e “Feliz Caminhar” (com Moska), além de ter composto sozinha “Eu Vou Seguir”. “Única faixa que não assino, O que Mereço se jogou no meu colo, na véspera de começarem as gravações. Fui ingênua ao receber em casa a fina flor dos novos compositores de Pernambuco, trazidos pelo porta-voz dessa geração, Almério, cantor querido e comovente. Depois de já estar tonta com tantas belezas, foi Juliano Holanda que me tirou definitivamente do sério e me fez pedir “aquela”, pra ouvir de novo, sozinha. Na mesma madrugada ela chegou e na semana seguinte, foi gravada. Irresistível, esse folk/country, meio Dylan, com jeito simples e cheio de profundidades, já ganhou status de single e tudo”, relata.
Zélia comenta que o álbum foi quase todo gravado ao vivo. “Ou seja, com todos nós tocando juntos, inclusive a voz, com exceção de metais e cordas. Minha voz reage aos instrumentos, que reagem a mim, porque “tudo é um”. Um mesmo desejo gigante de arrancar prazer dessa vida e encontrar mais, muito mais cúmplices por aí”, enfatiza. O lançamento é fruto da dobradinha Duncan Discos/Biscoito Fino.


