De volta ao foco da mídia
Ainda faltam três semanas para a cerimônia do Oscar, mas Steven Soderbergh assume a vaga do diretor mais aclamado dos Estados Unidos. O homem responsável Traffic e Erin Brockovich já tem engatilhado um novo sucesso garantido. O remake de Oceans Eleven, um clássico do Rat Pack de 1960, que vai ter George Clooney no papel que foi de Frank Sinatra e Julia Roberts como bônus.
Nada mal para um diretor que é creditado por inventar o cinema independente americano, com Sexo, Mentiras e Videotape, em 1989, mas que depois não conseguiu emplacar nenhum outro hit. Soderbergh tem tudo para sair da cerimônia do Oscar com algumas estatuetas. Suas duas produções entraram na disputa de melhor filme e diretor o que dobra suas chances de sair consagrado na noite do dia 25.
Apesar de ter ficado uma década inteira no banho maria, o diretor sempre apresentou sinais de que poderia chegar ao topo de Hollywood. Soderbergh começou a escrever roteiros e a rodar curtas-metragens em 16mm quando ainda estava no segundo grau. Tentou a sorte em Hollywood, mas acabou voltando para a Louisiana, onde acabou convidado para dirigir um documentário sobre o The Who, 9012 Live, que acabou sendo indicado para um Grammy, em 1986.
Logo em seguida, ele realizou o curta Winston, que virou a base para sexo, mentiras e videotape. A linguagem do filme foi considerada revolucionária e ele se tornou o mais novo diretor a ganhar a Palma de Ouro no Festival Internacional do Filme de Cannes. Ele estava com 23 anos e as portas abertas para realizar qualquer projeto no cinema.
O que aconteceu, no entanto, foi uma sequência de fracassos: Kafka, de 1991, King of the Hill, de 1993, The Underneath, de 1995, e Schizopolis e Grays Anatomy, de 1996. Hollywood já estava convencida de que Soderbergh era um homem de um sucesso só.
O sucesso comercial voltou a aparecer, ainda que de forma moderada, com Irresistível Paixão, estrelado por George Clooney (na fase em que ele ainda não tinha credibilidade nas telas de cinema) e Jennifer Lopez (em fase pré-Puff Daddy). A trama sobre um bandido que se apaixona por uma agente do FBI ganhou credibilidade por ser uma adaptação de um livro de Elmore Leonard (de Jackie Brown).
A crítica voltou a prestar atenção em Soderbergh em 1999, com O Estranho, sobre um ex-assassino de aluguel interpretado por Terance Stamp. Ele também foi ganhando espaço como produtor, ao assinar filmes como Um Dia em Nova York, de 1998, e Vida em Preto-e-Branco, de 1999.
Erin Brockovich virou um hit instantâneo nos Estados Unidos por se tratar de uma história conhecida e por trazer Julia Roberts fazendo uma personagem que não parecia saída de uma das comédias românticas da atriz mas ainda suficientemente sexy para atrair o público. O sucesso do filme preparou o mercado para Traffic, que contou com o impulso do casamento de Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones.
Soderbergh voltou ao topo de Hollywood agora com 38 anos e uma sólida carreira nas costas. Harrison Ford chegou a se oferecer para o papel de Michael Douglas em Traffic. George Clooney e Julia Roberts não tiveram dúvidas ao aceitar o convite para Oceans 11, que está sendo rodado atualmente em Las Vegas.
O filme tem tudo para ser um grande sucesso de novo. A história sobre um grupo de 11 amigos que planeja assaltar cinco dos maiores cassinos da cidade em apenas uma noite tem charme de sobra e o melhor um orçamento de US$ 90 milhões. Alguém duvida que Soderbergh é o novo king of the world?





