Com vasta experiência no jornalismo diário e na apresentação de programas, a jornalista Maria Cristina Poli retorna à tevê em dose dupla. Depois de um ano afastada do trabalho por conta do nascimento de seu primeiro filho, há um mês ela voltou ao batente na Globo como repórter especial, fazendo matérias para o ''Jornal Nacional''. Ela também está como apresentadora do ''Gente Pop'' no canal a cabo GNT. O programa vai mostrar a trajetória das celebridades nacionais e as pessoas que as cercam, inclusive os fãs. ''Quero tratar o processo de celebrização a partir do ponto de vista dos fãs. Eles e o artista vão ter a mesma importância'', revela. Os convidados do primeiro programa, ocorrido ontem, foram os cantores Sandy e Júnior.
Maria Cristina Poli iniciou a carreira na Band como assistente de produção do programa da Hebe Camargo. Apresentou a revista eletrônica ''Vitrine'', na TV Cultura, e o inovador ''Circulando'', no Canal 21, no qual fazia entrevistas em um ônibus trafegando por São Paulo. Trabalhou como repórter na Globo por 11 anos e, em 2001, assumiu o comando do ''Jornal da Noite'', na Band. ''Fiquei feliz com o resultado, pois fizemos com que o jornal ganhasse mais prestígio intelectual entre políticos, economistas, sempre convidados para dar entrevistas'', conta realizada.

Como surgiu a idéia do ''Gente Pop''?
Na verdade, o programa iria se chamar ''Celebridade'', isso bem antes de a novela existir. Tive a idéia em 2002, quando eu ainda fazia o programa ''Circulando'' e fui entrevistar o cantor Reginaldo Rossi. Nas gravações, ele simplesmente parou o trânsito. Eu pensei: ''O que é isso?'' Ele é uma celebridade para essas pessoas e fiquei curiosa em entender em como se dá esse processo. Gravei um piloto com o Reginaldo no Rio Grande do Norte e vi o quanto ele era adorado nas regiões Norte e Nordeste. Mostrei o piloto para o GNT e eles acharam a cara do canal, mas o projeto esbarrava na questão da viabilidade dos custos. No início desse ano, o GNT entrou em contato, interessado no programa.

Qual é o grande diferencial do ''Gente Pop''?
O programa tem uma pegada diferente. Ele é todo gravado em externas e a proposta é ouvir a voz de quem sustenta essas personalidades. O programa é uma investigação jornalística que busca entender como essas pessoas conseguem arrebatar e cativar tanta gente ao mesmo tempo. Vamos discutir também a relação das celebridades com a mídia.

E como essas personalidades lidam com a fama?
O programa é uma forma de fazer os famosos refletirem sobre sua popularidade. Muitos têm consciência da fama. Alguns deles gostam e praticamente não vivem sem. Sandy e Júnior, por exemplo, dizem que quando viajam ao exterior, no início, é até bom não serem reconhecidos, mas logo começam a sentir falta do carinho do público. Já para o cantor Ney Matogrosso sua relação com os fãs é apenas no palco. Ele não gosta de ninguém agarrando, pegando...

Você já comandou outros programas e também trabalhou no jornalismo diário. O que você mais gosta de fazer?
Eu adoro o dois trabalhos e busco conciliá-los. Também tenho experiência como documentarista. Já fiz 14 documentários sobre a cidade de São Paulo. Isso me permite fazer programas melhores, mais bem acabados. Quando fui para o ''Vitrine'', dei um caráter mais jornalístico ao programa. O ''Circulando'' foi o projeto mais ousado da minha vida. Trabalhar no ''Jornal da Noite'', como âncora e editora-chefe, foi um grande desafio na época, pois eu estava afastada do jornalismo diário há algum tempo.

Você já saiu de duas grandes emissoras em função da sua vida pessoal. Como foi isso?
Eu saí da Globo em 93 e fui para a Cultura em favor da criação, buscando trabalhos mais autorais. Fiz um documentário sobre a China muito interessante e que teve grande repercussão. Em 2003, saí de licença maternidade do ''Jornal da Noite'' e avisei que não voltaria mais. Estava com uma gravidez de risco e não dava mais para conciliar. Eu queria cuidar do meu filho. Me organizei para me dedicar somente a ele.

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