Você pode até achar ''Click'' (veja a programação de cinema na página 2) melhor do que qualquer outro filme interpretado por Adam Sandler, talvez porque ele traga embutido um lance esperto de ficção científica. Mas por outro lado, se você tiver olho mais arguto, poderá achar ''Click'' pior do que qualquer dos filmes anteriores de Sandler exatamente porque o roteiro traz embutido este elemento potencial da FC, mas nada faz de aproveitável com ele, a não ser que estejam envolvidos cachorros com afã sexual, piadas sobre puns (flatulência mesmo) e grosseira comédia pastelão. O que, de resto, garante diversão em estilo bem pedestre.
Sandler é o arquiteto workaholic Michael, muito mais disponível para o patrão (David Hasselhoff) do que para a mulher Donna (Kate Beckinsale) e os filhos. Sua vida anda tão desarrumada que ele confunde até seus controles remotos. E por sugestão do filho, ele agora quer um controle universal. Durante a busca, nos fundos de uma loja, conhece o amalucado cientista Morty (Christopher Walken), que lhe dá um controle que controla tudo. Inclusive a vida, e da maneira mais imprevisível.
De início as consequências são banais, mas eventualmente o controle assume o controle total, colocando Michael (e o filme) numa espécie de piloto automático. E sugerindo ao personagem como ele, no passado, reagiria a certas situações. Mas sem dar a oportunidade de mudar de curso. Como é possível adivinhar, consequências desastrosas vão surgir.
A partir deste momento, ''Click'' foge completamente ao controle, e empreende fúteis e inuteis tentativas de manter amarrada a sua já muito gasta piada única. Qualquer tentativa de arrancar o riso é tão exagerada que todo o humor, se é que havia, desaparece.
Com o passar dos 107 minutos, o espectador lembra de um filme aqui (o cult ''De Volta Para o Futuro''), outro filme ali (o classicão ''A Felicidade Não se Compra''), um terceiro mais adiante (''Feitiço do Tempo''), um outro parecido (''Como Se Fosse a Primeira Vez'', com o próprio Sandler), e vai concluindo sem grande esforço que o mal que assola o cinema de entretenimento é mesmo a ausência daquele sopro de invenção. (C.E.L.J.)

mockup