Bruna Lombardi resolveu dar um tempo em seu afastamento voluntário da tevê e vai encarar, depois de cinco anos fora dos holofotes, mais uma personagem. Após ter decidido há 10 anos partir para Los Angeles, Estados Unidos, para ter uma vida com qualidade ao lado do marido e do filho, Bruna retorna e, pela primeira vez na carreira, vai interpretar uma vilã capaz de todos os golpes baixos para se dar bem na vida. Na minissérie ''O Quinto dos Infernos'', escrita por Carlos Lombardi e prevista para estrear em janeiro do ano que vem, Bruna vai assumir a personalidade de Branca, uma golpista que vai balançar o coração do Chalaça, personagem de Humberto Martins. ''Este papel veio no momento certo. Quero experimentar algo diferente da heroína romântica que beija, chora e sofre'', explica a atriz.
Apesar de morar fora do Brasil há tanto tempo, parece que a atriz nunca esteve ausente. Bruna é o que se pode chamar de mito. A atriz ainda consegue fascinar diretores, atores e público como poucas. Basta aparecer em qualquer evento para os flashes estourarem na direção desta loura de olhos enigmaticamente azuis. Não foi diferente no workshop de ''O Quinto dos Infernos'', realizado no Projac, na Zona Oeste do Rio. Assim que a atriz sentou para descansar, uma roda de repórteres se formou à sua volta. ''Gosto de brincar com a sedução. Não precisa perdê-la. Basta determinar onde vai terminar'', tenta explicar.
Enquanto estiver no Brasil, Bruna Lombardi vai aproveitar todo seu tempo livre para se dedicar à sua primeira vilã. Até mesmo porque Branca é uma marquesa falida, que vai disputar o coração do Chalaça com Manoela, uma rival 20 anos mais jovem, interpretada por Daniele Winits. Outro motivo que levou Bruna a interromper seu sossego na Califórnia foi a possibilidade de falar de um Brasil diferente do que é contado nos livros de História e nas salas de aula. ''A história é muito divertida. Seria tão bom se pudéssemos aprender desse jeito. Com certeza, ia ser muito mais fácil de assimilar'', pondera.
Nos últimos 10 anos, Bruna voltou poucas vezes para fazer pequenos trabalhos em sua terra natal. Seu último papel fixo na tevê foi em 1996, quando interpretou a submissa Gardênia de ''O Fim do Mundo'', de Dias Gomes. Depois disso, fez ainda uma participação especial em ''Andando Nas Nuvens'', de Euclides Marinho, nos capítulos em que Chico Mota, personagem interpretado por Marcos Palmeira, se perde numa ilha e dá de cara com uma exuberante cientista. Mas, entre os vários papéis de seu currículo de atriz, o mais famoso foi Diadorim, da minissérie ''Grande Sertão: Veredas'', adaptada do romance de Guimarães Rosa por Walter George Durst e dirigida por Walter Avancini em 1985. Desta vez, Bruna não pensou apenas nas características da personagem na hora de aceitar o convite de Lombardi. Topou porque vai ter a possibilidade de aprender coisas novas. ''Fiquei apaixonada pelo trabalho. É isso que me move na hora de aceitar um personagem e não o sucesso que ele possa fazer'', define.
Por enquanto, Bruna só vai ficar no Brasil o tempo necessário para a gravação da minissérie. Depois disso, ela retorna a Los Angeles, para se dedicar ao projeto de cinema que tem junto com o marido, o ator Carlos Alberto Riccelli. Eles pretendem filmar um longa, ainda sem título definido, que mistura diversas qualidades dos brasileiros e dos americanos. ''Queremos juntar as duas culturas. Por isso vai ser uma comédia com personagens que têm o talento do nosso povo e a praticidade dos americanos'', explica.
Apesar disso, Bruna deixa claro que está aberta para novas propostas de trabalho no Brasil. Tudo vai depender se valem a pena ou não. ''Nunca estive fechada a nada. Sou como um rio que tem de abrir seu curso'', filosofa.

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