DE VOLTA À TELINHA
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de julho de 2000
Leandro Calixto TV Press 
Acostumado com os cuidados que uma produção teatral exige, o ator Luís Mello conta que poucas vezes presenciou na televisão uma preparação tão minuciosa para fazer uma novela como agora em O Cravo e A Rosa, baseada em A Megera Domada.
O ator, que interpreta o banqueiro Batista, lembra que todo elenco escalado para a trama chegou a fazer um workshop sobre a obra do escritor inglês William Shakespeare. Isto é uma conquista para toda classe artística. E a gente percebe que a qualidade do trabalho é muito superior quando acontece uma preparação, teoriza o ator. O Cravo e a Rosa também marca a volta de Walter Avancini na direção de uma novela na Globo.
A possibilidade de ser dirigido por Walter Avancini é outra razão que entusiasma o ator. Luís Mello qualifica Avancini como o mestre dos mestres. Ele faz um trabalho impecável de direção com os atores. Por isso, não podia deixar esta oportunidade passar, justifica.
Na trama, adaptada pelo autor Walcyr Carrasco, o banqueiro Batista é viúvo e pai de Catarina e Bianca, vividas por Adriana Esteves e Leandra Leal, respectivamente. Ele tenta controlar a vida das filhas, mas ao mesmo tempo, teme que Catarina não se case por ser uma mulher que atua no movimento feminista.
Na trama ambientada na década de 20, Batista tenta se eleger prefeito da cidade de São Paulo. Este é um paradoxo do personagem. Ele não consegue resolver os problemas dentro de casa, mas ao mesmo tempo, quer administrar uma cidade, conta o ator, sem esconder o bom humor. Ele acha que o fato do personagem alternar momentos trágicos e patéticos vai enriquecer o Batista na história. É um trabalho completamente diferente dos que já fiz na televisão, explica.
Para Luís Mello, o autor Walcyr Carrasco está conseguindo assimilar muito bem o espírito e a sensibilidade dos personagens de Shakespeare. Todos eles estão sendo bem-estruturados e elaborados pelo autor. Esta novela tem tudo para dar certo, aposta
A última novela que Luís Mello participou na Globo foi a segunda versão de Pecado Capital, exibida em 1998. Na história adaptada por Glória Perez, o ator viveu o apagado piloto de avião Ricardo, que acabou morrendo na metade da história. Isto já estava acertado com a direção. A morte dele era necessária para ter todo conflito e transição na história, lembra o ator. Depois de Pecado Capital, Luís Mello atuou na microssérie A Invenção do Brasil. Este foi o segundo trabalho consecutivo que ele fez sob a direção de Guel Arraes. O primeiro foi em outra microssérie, O Auto da Compadecida, baseado na obra do escritor pernambucano Ariano Suassuna. O Guel é um profissional impressionante. Ele tem um cuidado muito grande e consegue reunir tudo o que é de melhor à sua volta, ressalta.
A preocupação em realizar um trabalho elaborado, como têm Guel Arraes e Walter Avancini, segundo Luís Mello, deveria ser uma norma na televisão. Este cuidado deve servir como uma referência, ratifica. Por trabalhar com profissionais como Guel e Avancini, o ator se sente recompensado em fazer televisão. Com formação teatral, Luís Mello conta que nunca teve qualquer tipo de preconceito em atuar na televisão. O que me dá prazer é atuar. Seja onde for, avisa.
Mas mesmo se dizendo adaptado à tevê, ele não esconde a paixão pelos palcos. Tanto que quando não está gravando nos estúdios do Projac, no Rio de Janeiro, Luís Mello está envolvido em algum projeto teatral. Ele acaba de abrir um espaço cultural em Curitiba, no Paraná, sua terra natal. No ateliê, o ator e um grupo de professores dão aulas com técnicas para o desenvolvimento e treinamento na área de pesquisa teatral. Era um antigo sonho criar este espaço cênico. É uma forma de manter a teatro aceso, enfatiza. Por causa destes dois compromissos a novela e o espaço cultural , Luís Mello não deve tocar outros projetos até o final do ano. Mas em 2001, quero voltar a fazer cinema e teatro, avisa o ator.


