PERFIL DE VOLTA À PERVERSIDADE Tiazinha recupera o lado sádico e malvado em programa na Band com ajuda de Marcelo Rubens Paiva Arquivo FolhaSuzana Alves acha que o programa ainda não emplacou porque sua personagem estava muito infantil André Bernardo TV Press A mais famosa sadomasoquista do Brasil se diz ‘‘uma nova mulher’’. Aos 20 anos, Suzana Alves garante que está mais espiritualizada, começou a fazer análise baseada nos sonhos e passou a se preocupar mais com o seriado ‘‘As Novas Aventuras de Tiazinha’’, previsto para estrear amanhã na Band. A modelo assegura que Tiazinha reaparece mais perversa que nunca. A idéia partiu de Marcelo Rubens Paiva, escritor e atual roteirista do seriado da Band. A primeira providência que o autor de ‘‘Feliz Ano Velho’’ e ‘‘Blecaute’’ tomou foi a de resgatar duas das mais fortes características da Tiazinha: o jeito sacana e o figurino atrevido. A partir de agora, a heroína assume a identidade de Cuca, uma depiladora que trabalha num salão de beleza. Não por acaso, ‘‘As Novas Aventuras da Tiazinha’’ estréia no mesmo mês em que a nova ‘‘Playboy’’ chega às bancas. Mais provocante que nunca, Suzana acredita que ainda não chegou o momento certo de abrir mão da sensualidade. O novo ensaio é um dos mais ousados da história da revista. O que vai mudar em ‘‘As Novas Aventuras de Tiazinha’’? Tudo. O Marcelo resolveu mudar o perfil da Tiazinha. Para ele, a personagem estava muito boazinha. Ela tem de ser sacana também. É disso que o brasileiro gosta. Ninguém aguenta mais assistir a tanta lengalenga na tevê. A Tiazinha só fazia sucesso no ‘‘H’’ porque era sádica, malvada. Era justamente isso que estava faltando. O seriado andava muito infantil. Não posso esquecer que a Tiazinha é uma musa ‘‘sadomasô’’. Foi Deus quem colocou o Marcelo no meu caminho. Como surgiu a idéia de convidá-lo para o seriado? Resolvi convidá-lo porque descobri que ele é meu fã. Além disso, a ousadia dele tem a ver com a minha. Sempre achei que a Tiazinha precisava de pessoas ousadas para existir. Preciso de gente audaciosa do meu lado. Gente que não tem vergonha de arriscar, de fazer coisas novas, de correr riscos... Já conhecia o Marcelo dos livros que ele escrevia. Um dia, o convidei para jantar. Conversamos muito e ele me disse que tinha umas idéias malucas para o seriado. Adorei. A que você atribui a fraca repercussão de ‘‘As Aventuras de Tiazinha’’? Desde que comecei no ‘‘H’’, só trabalho de cinta-liga. De repente, apareço de collant. Ninguém entendeu nada. É como tirar o doce da boca de uma criança. Não dá para mudar uma imagem de uma hora para outra. Isso leva tempo. Além do mais, não dá para transformar a Tiazinha em heroína infantil. Adoro o público infantil, mas a Tiazinha não foi feita para crianças. Por enquanto, vou continuar nesta linha. Mas vou estudar também. Não posso fazer isso a vida inteira... É verdade que você não conseguia decorar as falas? O maior problema não era decorar as falas e sim atuar. Foi difícil para mim. Aliás, continua sendo. Nunca tive pretensão de ser atriz. No ‘‘H’’, só fazia caras e bocas. Agora, estou tendo de ralar para fazer tudo direitinho. Ainda bem que nunca fui de ligar para críticas. A única coisa que sei é que tenho muito o que aprender. Você já chegou a se sentir manipulada algum dia? Ah, já. A gente se ilude muito com o sucesso. Chegou uma hora em que pensei: ‘‘Meu Deus, onde foi que errei?’’ Sofri muito na época em que todo mundo queria ser meu dono. Passei um sufoco danado porque era nova, ingênua e deslumbrada. Já tive muito prejuízo por causa de empresário. Graças a Deus, me sinto uma nova mulher. Hoje, sei o que é melhor para mim. Não posso esquecer que tenho uma carreira internacional pela frente. Quando o Luciano Huck foi para a Globo, você gostaria de ter ido também? Isso nunca passou pela minha cabeça. Sei que a Globo nunca vai se interessar pela Tiazinha. Eles preferem fazer a pessoa. Quando falo sobre isso, não me refiro ao Jô, Serginho Groissman ou Ana Maria Braga. Eles não são personagens. Já a Tiazinha é. Não acho que um personagem que cresceu do jeito que cresceu fora da Globo possa interessar a eles. Aliás, é difícil alguém estourar do jeito que estourei fora da Globo. Além do mais, não gostaria de trocar o certo pelo duvidoso.