‘‘Malhação’’ pegou Bia Seidl de surpresa. Depois de 20 anos fazendo novelas, a atriz já não esperava viver uma experiência nova em sua carreira. Na novelinha adolescente, a atriz interpreta Vera, uma das protagonistas da nova trama e traz duas novidades para a atriz: trabalhar com atores estreantes numa produção direcionada especificamente para jovens. Além disso, o papel tem exigido de Bia todo um aprimoramento como atriz, pois mexe com emoções muito fortes. Sua personagem vive o drama de ter o marido acusado de corrupção e ter de se virar sozinha para criar os filhos com dignidade. ‘‘A Vera é obstinada, guerreira, boa mãe, carinhosa e educadora’’, defende.
Apesar da carga dramática, Bia acha que foi uma tarefa fácil compor a personagem. ‘‘Daniel está com 21 anos. Sei o que é criar um filho até a maioridade. Isso me dá propriedade para falar de alguns assuntos’’, garante a atriz, que ainda tem uma filha, Miranda. Interpretar uma personagem tão parecida com ela fez com que Bia se sentisse segura. ‘‘Fluiu de uma maneira muito tranquila, porque os dados da realidade sempre ajudam a gente’’, explica.
O trabalho com um elenco de jovens estreantes também estimula a atriz. Ela acredita que é uma chance de evitar vícios de interpretação, uma automatização, que alguns atores adotam. ‘‘É complicado para uma atriz ter um distanciamento para ver quando não está se repetindo. As pessoas jovens trazem uma liberdade e uma isenção de estilo que me interessam’’, afirma.
A estréia de Bia Seidl na tevê foi na novela ‘‘Jogo da Vida’’, da Globo, em 1981, onde ela fazia uma pequena participação. Mas foi em 82, como uma interiorana de ‘‘Paraíso’’, que ela acredita ter começado a ser notada. ‘‘Aí passei a existir como atriz no mercado’’, avalia. Depois participou de ‘‘Sexo dos Anjos’’ , ‘‘A Gata Comeu’’ e da minissérie ‘‘Memorial de Maria Moura’’. Sua última novela foi ‘‘Vamp’’ há 10 anos atrás. Ano passado Bia fez duas participações no ‘‘Você Decide’’ e agora está retornando para o casting da emissora.
Durante o período em que esteve ausente da Globo, continuou a gravar novelas em outras emissoras. No SBT ficou por três anos e atuou em ‘‘Sangue do Meu Sangue’’ e ‘‘Ossos do Barão’’. Depois foi para a Record onde viveu Luciana na segunda etapa de ‘‘Estrela de Fogo’’. Também participou de novelas na extinta Manchete, a mais marcante foi ‘‘Dona Beija’’, onde interpretava a Aninha Felizardo. Este personagem lhe abriu várias portas, até um convite para apresentar o ‘‘Programa de Domingo’’ no final da década de 80. ‘‘Foi um momento da minha vida onde eu pude experimentar um pouco de tudo, uma fase bem quente na profissão’’, avalia.
Quando fala do começo da carreira, Bia não consegue evitar o riso ao lembrar que a sua primeira atuação foi ao lado de sua amiga de infância, Cláudia Gimenez. As duas tinham 10 anos de idade. Desde então Bia não parou mais. O único intervalo em sua carreira foi causado pelo desejo de ser mãe. O primeiro filho, Daniel, nasceu pouco antes de Bia estrear na tevê – na época estudava Comunicação Social na Universidade Gama Filho, no Rio.
A segunda filha, Miranda, nasceu em 1998, e fez com que Bia desse um tempo na tevê. Foi também um grande acontecimento pessoal, pois trouxe verdades até então desconhecidas. ‘‘Quando se é jovem não se tem a noção de que vamos morrer, achamos que somos imortais, o nascimento da Miranda me trouxe a noção de mortalidade’’, reflete.
Apesar do recheado currículo, Bia ainda é lembrada nas ruas pelo comercial do sabonete Lux que fez há 17 anos. ‘‘Isto é impressionante, porque não é um personagem nem é nada, é um comercial’’, lembra. Este anúncio a colocou na lista das mulheres mais bonitas do Brasil. Antes de ser gravado, a Agência Thompson fez uma pesquisa de rua para saber quem as mulheres queriam ver em seus comerciais. Assim Bia foi escolhida para participar. ‘‘Foi muito estranho, porque era muito inusitado para mim. O legal é que as pessoas aprenderam a falar o meu nome’’, argumenta.

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