DE VOLTA À CENA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de agosto de 2000
Nelson Sato De Londrina 
Marina Lima está outra vez sob os holofotes. Seis anos depois de cancelar os compromissos profissionais para se tratar de uma depressão, a cantora volta aos palcos com a turnê do show Sissi na Sua, que desembarca hoje e amanhã no Teatro Guaíra em Curitiba.
O Síssi do título é uma gíria clubber que significa se sentindo. O show tem o dedo do diretor de teatro Enrique Diaz, responsável pela recente remontagem de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade. Marina preocupou-se sobretudo com a ambientação cênica do espetáculo, assinada por Gualter Enrique e cujo figurino foi preparado pelo festejado estilista Alexandre Herchcovitch.
Aos 44 anos, manteve o rigor nos detalhes da produção não esquecendo de cuidar do corpo, talhado pelas aulas de expressão corporal com a bailarina paulista Tica Lemos. No repertório, predominam canções dos dois últimos álbuns Registros à Meia Voz (de 1996) e Pierrot do Brasil (1998). O set de sucessos é curto incluindo Fullgás e Pra Começar.
A novidade são as três músicas inéditas Mel da Lenda (parceria com o tecladista e arranjador Willian Magalhães, da Banda Black Rio), Estou Assim e Síssi (ambas com a escritora Fernanda Young). Curitiba é a terceira cidade a receber a turnê, que estreou em Juiz de Fora (MG), passou por Belo Horizonte e segue para Florianópolis.
Segundo a assessoria da cantora, pelo menos 100 apresentações já foram agendadas até dezembro. Um disco ao vivo poderá sair dessa maratona de shows. Marina não cansa de responder à grande imprensa do eixo Rio-SP sobre os problemas que enfrentou com a voz, que afetaram inclusive sua performance nos dois últimos álbuns onde parece sufocada cantando em registro baixo e grave.
A quem pergunta, ela responde que as alterações vocais eram de fundo emocional e não físico. Para a Folha, ela preferiu desconversar. O período de aflições começou no final de 95, quando cancelou os shows de lançamento do álbum Abrigo, fato que viria a se repetir com a turnê de Pierrot do Brasil. Na época, fez exames e chegou a pensar que estivesse com câncer.
Descobriu que tudo tinha origem num trauma emocional. Retirou-se em silêncio. Pouco depois, com a voz mais rouca do que o habitual, apareceu na quarta edição do Video Music Brasil na MTV amplificando os boatos na imprensa. Nesse período, trocou o Rio de Janeiro por São Paulo, onde estudou a linguagem de composição em computadores frequentando um curso de MIDI.
Ao lançar Pierrot do Brasil, reforçou seu universo de criação cuidando dos arranjos e tocando vários instrumentos. Quase que simultaneamente ao álbum, viu chegar às lojas um single lançado pelo selo do Mercado Mundo Mix reunindo remixes das faixas Pierrot e Deixe Estar, manipuladas pelos DJs Mark Marky, Mau Mau, Felipe Venâncio e Nude.
Na ocasião, em entrevista à Folha, declarou que não só queria como precisava fazer shows. A turnê, porém, foi cancelada. Seguiu-se um novo exílio, do qual a cantora só saiu para posar nua para a revista Playboy de novembro passado. Agora, aparentemente recuperada, Marina retorna aos palcos acompanhada por Willian Magalhães (teclados), Gustavo Corsi (guitarra), Edu Martins (baixo, teclados e programação), Giavanni Bizotto (violão e vocais) e Cuca Teixeira (bateria).
Entrevistada por e-mail, a pedido de sua assessoria, a cantora economizou palavras e deixou de responder três perguntas.
Por que o nome Síssi na sua, que dá nome ao show?
A expressao síssi significa se sentindo e é usada para pessoas que estão se sentindo bem, livres. É exatamente assim que eu estou nesse momento. É um nome engraçado, alto astral.
Qual é o repertório do show?
O repertório se baseia nos meus discos mais recentes, mas tem também 3 cancões inéditas uma delas é Síssi, cancão minha em parceria com a Fernanda Young. E também tem uns clássicos que ainda valem para mim.
Você vai lançar um disco ao vivo a partir desses shows?
Por enquanto, estou toda concentrada nesse show, se virar disco, será muito bem vindo, porque o show está muito bom.
Como você está atualmente, e como está sua voz nestes primeiros shows da turnê?
Eu estou muito bem agora, a depressão passou, estou feliz de voltar aos palcos. O show é uma comemoração e é bom compartilhar minha alegria com meu público, que tenho reencontrado a cada show da turnê.
Te espero lá para conferir como estou...
Marina deixou de responder as três últimas perguntas da entrevista: sobre sua performance vocal no disco Pierrot do Brasil, as fotos na revista Playboy e a troca de arquivos musicais na Internet.


