Marina Lima está outra vez sob os holofotes. Seis anos depois de cancelar os compromissos profissionais para se tratar de uma depressão, a cantora volta aos palcos com a turnê do show ‘‘Sissi na Sua’’, que desembarca hoje e amanhã no Teatro Guaíra em Curitiba.
O ‘‘Síssi’’ do título é uma gíria clubber que significa ‘‘se sentindo’’. O show tem o dedo do diretor de teatro Enrique Diaz, responsável pela recente remontagem de ‘‘O Rei da Vela’’, de Oswald de Andrade. Marina preocupou-se sobretudo com a ambientação cênica do espetáculo, assinada por Gualter Enrique e cujo figurino foi preparado pelo festejado estilista Alexandre Herchcovitch.
Aos 44 anos, manteve o rigor nos detalhes da produção não esquecendo de cuidar do corpo, talhado pelas aulas de expressão corporal com a bailarina paulista Tica Lemos. No repertório, predominam canções dos dois últimos álbuns ‘‘Registros à Meia Voz’’ (de 1996) e ‘‘Pierrot do Brasil’’ (1998). O set de sucessos é curto incluindo ‘‘Fullgás’’ e ‘‘Pra Começar’’.
A novidade são as três músicas inéditas ‘‘Mel da Lenda’’ (parceria com o tecladista e arranjador Willian Magalhães, da Banda Black Rio), ‘‘Estou Assim’’ e ‘‘Síssi’’ (ambas com a escritora Fernanda Young). Curitiba é a terceira cidade a receber a turnê, que estreou em Juiz de Fora (MG), passou por Belo Horizonte e segue para Florianópolis.
Segundo a assessoria da cantora, pelo menos 100 apresentações já foram agendadas até dezembro. Um disco ao vivo poderá sair dessa maratona de shows. Marina não cansa de responder à grande imprensa do eixo Rio-SP sobre os problemas que enfrentou com a voz, que afetaram inclusive sua performance nos dois últimos álbuns onde parece sufocada cantando em registro baixo e grave.
A quem pergunta, ela responde que as alterações vocais eram de fundo emocional e não físico. Para a Folha, ela preferiu desconversar. O período de aflições começou no final de 95, quando cancelou os shows de lançamento do álbum ‘‘Abrigo’’, fato que viria a se repetir com a turnê de ‘‘Pierrot do Brasil’’. Na época, fez exames e chegou a pensar que estivesse com câncer.
Descobriu que tudo tinha origem num trauma emocional. Retirou-se em silêncio. Pouco depois, com a voz mais rouca do que o habitual, apareceu na quarta edição do Video Music Brasil na MTV amplificando os boatos na imprensa. Nesse período, trocou o Rio de Janeiro por São Paulo, onde estudou a linguagem de composição em computadores frequentando um curso de MIDI.
Ao lançar ‘‘Pierrot do Brasil’’, reforçou seu universo de criação cuidando dos arranjos e tocando vários instrumentos. Quase que simultaneamente ao álbum, viu chegar às lojas um single lançado pelo selo do Mercado Mundo Mix reunindo remixes das faixas ‘‘Pierrot’’ e ‘‘Deixe Estar’’, manipuladas pelos DJs Mark Marky, Mau Mau, Felipe Venâncio e Nude.
Na ocasião, em entrevista à Folha, declarou que ‘‘não só queria como precisava fazer shows’’. A turnê, porém, foi cancelada. Seguiu-se um novo exílio, do qual a cantora só saiu para posar nua para a revista Playboy de novembro passado. Agora, aparentemente recuperada, Marina retorna aos palcos acompanhada por Willian Magalhães (teclados), Gustavo Corsi (guitarra), Edu Martins (baixo, teclados e programação), Giavanni Bizotto (violão e vocais) e Cuca Teixeira (bateria).
Entrevistada por e-mail, a pedido de sua assessoria, a cantora economizou palavras e deixou de responder três perguntas.
Por que o nome ‘‘Síssi na sua’’, que dá nome ao show?
A expressao ‘‘síssi’’ significa ‘‘se sentindo’’ e é usada para pessoas que estão se sentindo bem, livres. É exatamente assim que eu estou nesse momento. É um nome engraçado, alto astral.
Qual é o repertório do show?
O repertório se baseia nos meus discos mais recentes, mas tem também 3 cancões inéditas – uma delas é ‘‘Síssi’’, cancão minha em parceria com a Fernanda Young. E também tem uns clássicos que ainda valem para mim.
Você vai lançar um disco ao vivo a partir desses shows?
Por enquanto, estou toda concentrada nesse show, se virar disco, será muito bem vindo, porque o show está muito bom.
Como você está atualmente, e como está sua voz nestes primeiros shows da turnê?
Eu estou muito bem agora, a depressão passou, estou feliz de voltar aos palcos. O show é uma comemoração e é bom compartilhar minha alegria com meu público, que tenho reencontrado a cada show da turnê.
Te espero lá para conferir como estou...
Marina deixou de responder as três últimas perguntas da entrevista: sobre sua performance vocal no disco ‘‘Pierrot do Brasil’’, as fotos na revista Playboy e a troca de arquivos musicais na Internet.

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