A confluência entre rock e gêneros regionais já foi visitada por vários nomes da música brasileira, e volta a ganhar fôlego com Kléber Albuquerque. O compositor paulista está em evidência com a classificação da embolada-rock ‘‘Xi de Pirituba a Santo Andr钒 (parceria com Rafael Altério) para a final do Festival da Globo de Música Brasileira. Ao mesmo tempo, Kléber Albuquerque chega ao segundo CD, ‘‘Para a Inveja dos Tristes’’, lançado pela Dabliú.
Com base no sampler, Kléber Albuquerque traça uma costura entre guitarra, teclados, baixo, violão e bateria. Há espaços para ruídos diversos, assobios, percussão e gaita. O disco abre com o reggae ‘‘A Chave Certa’’, um potencial hit de FMs. O trabalho começa a ficar mais contundente em ‘‘Espera’’, que traz um contato sutil entre Nordeste e blues-rock.
Em seguida, há um salto para ‘‘Isopor’’ (parceria com Élio Camalle), interpretada em violão e voz, com participação especial de Fábio Jr. É uma faixa cantarolável e descontraída, fazendo uma espécie de ponte para ‘‘Lã de Vidro’’, mistureba com jeito de blues que dribla definições, aproximando novamente o tempero nordestino.
‘‘Carnaval’’ é um frevo eletrônico interessante, mas que às vezes soa quadrado pelo excesso de loops, programação e guitarras distorcidas. O despojamento talvez valorizasse mais a composição. Mas o objetivo – que nem sempre é atingido – busca justamente quebrar a linearidade e escapar do óbvio.
A melancólica ‘‘Uns 10 Amantes’’ ganha tempero retrô com a presença de um teclado moog discreto e uma guitarra chorosa. A programação eletrônica também aparece na setentista ‘‘Casinha Branca’’ (Gilson/Joran), flashback de quem era garoto na época em que a música fez sucesso. O CD encerra com ‘‘A Ópera do Rinoceronte’’ (parceria com Madan), faixa desesperançosa.
O disco de Kléber Albuquerque traz erros e acertos. Em algumas vezes o excesso de eletrônica age contra e prejudica o resultado, em outros, colabora para o crescimento de faixas que seriam regulares. A interpretação anda em conjunto com os arranjos em busca de uma linguagem própria. ‘‘Para a Inveja dos Tristes’’ traz a instabilidade de uma carreira em formação, mas aponta caminhos interessantes e tem bons momentos, tanto como disco pop quanto de MPB.

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