Londrina traça os primeiros planos para a preservação do patrimônio histórico da cidade, antes do desaparecimento definitivo de construções que representam fragmentos valiosos da cultura. A Secretaria Municipal de Cultura de Londrina inicia projetos nesta direção e formulou documentação solicitando o tombamento de uma área central em Londrina. São construções das décadas de 40 a 60 que resistem ao tempo. A região compreende a Av. Rio de Janeiro, Alameda Manoel Ribas e Rua Maestro Edydio do Amaral.
Entre as edificações de inestimável valor histórico e cultural alocadas na região indicada no pedido estão a Biblioteca Pública Municipal (antigo Fórum), Teatro Zaqueu de Melo (antigo Salão do Júri), as sedes dos Correios e Telégrafos e Associação Médica de Londrina, Secretaria Municipal de Cultura, Centro de Saúde, Companhia Telefônica Nacional (CTN) e a sede urbana do Grêmio Literário e Recreativo Londrinense. Além disso, foram incluídos no pedido de tombamento a Concha Acústica (Praça 1º de Maio) e o Bosque Marechal Cândido Rondon.
O pedido foi encaminhado à curadoria de Patrimônio Cultural, em Curitiba, no dia 21 de maio e já retornou o protocolo (nº 4776-774/1), que segundo explicou Vanda de Moraes, gerente de Patrimônio Histórico e Cultural, ‘‘é a garantia de que os bens estão sob proteção’’. Quando a solicitação de tombamento de Londrina entrar na pauta do Conselho de Patrimônio Cultural do Paraná ele será analisado. Se a análise for favorável, provavelmente, a cidade deve receber a visita de um técnico para verificar as edificações e se certificar da relevância do tombamento. O Conselho de Patrimônio Cultural do Paraná se reúne trimestralmente.
‘‘É importante o cidadão ver e viver a cidade como ela já foi. Esse primeiro passo vai detonar uma ampla discussão sobre o que queremos com o patrimônio histórico de Londrina’’ argumenta o Secretário Municipal de Cultura, Bernardo Pellegrini. Esse processo deve gerar polêmica com os proprietários do centro da cidade, que se questionarão sobre alterações nos imóveis com o tombamento.
Bernardo Pellegrini pretende dar uma destinação cultural a esse quarteirão. ‘‘Será uma visão moderna de percurso do centro da cidade. Não existe revitalização sem uma ocupação adequada’’, emenda. Muitos prédios do centro que resistiram ao tempo foram ‘‘maquiados’’ com fachadas de alumínio e luminosos. Existe uma arquitetura de linhas modernas que jaz por trás do excesso de publicidade.
No prédio onde funciona os Correios está sendo ventilada a possibilidade de se fazer um Centro Cultural no segundo andar, nos moldes do existente em São Paulo. Pellegrini diz ter entrado em contato com o Secretário de Saúde, Silvio Fernandes, para saber da viabilidade da Cultura usar o prédio do Centro de Saúde, outra edificação incluída no pedido. Já o Grêmio Literário e Recreativo Londrinense se reúne em assembléia no próximo dia 25 para discutir com os associados a venda da sede social, conforme informou o presidente do clube, Ederson Camata. O terreno em que se localiza o Grêmio foi doado pela Cia. de Terras do Norte do Paraná para a Prefeitura, que repassou para a entidade. ‘‘Não há impedimento jurídico na venda, desde que o clube não fosse dissolvido, o que não é o caso’’, argumenta Camata. Ele pretende consultar advogados para saber se haverá prejuízo nas negociações de venda e ainda diz ter dúvidas a respeito sobre o que é tombamento.
A partir da efetivação do tombamento do patrimônio, nenhum prédio pode ser alterado de forma drástica. Aqueles pertencentes à esfera pública têm vocação cultural em sua utilização. ‘‘Nossa intenção é impedir a destruição que vem acontecendo com prédios importantes arquitetônica e culturalmente’’, advoga Vanda Moraes. Os proprietários e responsáveis pelos bens incluídos devem receber informações sobre o caso. O edifício residencial Associação Rural, que está na mesma área, não foi incluído na solicitação e não vai sofrer ação direta do tombamento. Neste edifício funciona também a Casa de Cultura, da UEL.
A partir do dia 29 de junho, a Secretaria de Cultura promove mensalmente reuniões com todos os setores envolvidos com o patrimônio histórico de Londrina, com o intuito de criar uma norma diretriz para o setor. Até o final do ano deve ser institucionalizado um órgão gerenciador do tombamento municipal. A tendência no País é destinar essas decisões para o município. Na primeira reunião foi convidada para participar a coordenadora do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado, Maria Luiza Marques Dias.
Londrina possui atualmente três bens tombados: O Museu de Arte (antiga rodoviária); Praça Rocha Pombo e Cine-Teatro Ouro Verde. A Capela do distrito Espírito Santo está em processo de tombamento.

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