De Plínio Marcos a um Hamlet risível
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terça-feira, 22 de abril de 1997
Da Redação 
Milton DóriaCena de Abajur Lilás, com o grupo Boca de BacoTrês espetáculos de Londrina e um de Curitiba preenchem hoje a agenda da Mostra Regional de Teatro de Londrina/Filo. E quem abre a programação, logo pela manhã, das 10 às 11h30, no Calçadão em frente ao Cine-Teatro Ouro Verde, é a trupe do Plantão Sorriso - um projeto cênico que tem por finalidade amenizar um pouco a carga emocional sobre pacientes internados no setor de pediatria do Hospital Universitário. O espetáculo do grupo londrinense chama-se A Cobra na Bacia e terá hoje uma apresentação pública.
Trata-se de uma esquete com cenas clássicas de palhaço e que gera, consequentemente, um ambiente descontraído através de brincadeiras e procedimentos médicos engraçadíssimos como medir a pressão com fita métrica ou aplicar injeção de ânimo. Tudo para levantar o moral de crianças. O palhaço Picolino cedeu grande parte de seu material cênico e coordenou a prepação dos atores. O Plantão Sorriso surgiu em 95, concebido pela psicóloga Luciana Bazzo, depois de pesquisas e contatos com projetos semelhantes em hospitais de São Paulo.
Já o também grupo londrinense do Sesc/Proteu/Teatro da Terceira idade será o responsável pela programação da Mostra na parte da tarde. Das 14 às 17h30, no Salão do Sesc da Fernando de Noronha, haverá demonstrações cênicas das 24 atrizes que compõem o grupo da Terceira Idade, que está completando 10 anos de existência. São mulheres com idade entre 53 e 78 anos que vão vão falar um pouco da experiência de atuar e também representar trechos de alguns dos espetáculos do grupo.
A mais recente produção do grupo foi o espetáculo 100 anos de Cinema e Moda, uma criação coletiva. Mas a grande sensação foi a montagem de Londrina - Zona Paraíso, uma das partes da trilogia composta pelas peças Bodas de Café e ZYdrina, do grupo Proteu. A coordenação geral é de João Henrique e Maria Fernanda Coelho, com preparação corporal de Ana Maria Góes.
Hamlet moderninhoO universo denso de Plínio Marcos pode ser conferido no espetáculo O Abajur Lilás que o grupo Boca de Baco, de Londrina, apresenta logo mais, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde. A história gira em torno de três prostitutas - Dilma, Célia e Leninha - exploradas por Giro, um cafetão homossexual dono de um bordel, e de seu comparsa, Osvaldo.
O texto retrata o submundo dos grandes centros urbanos com todo o seu cinimso, crueldade e violência. Abajur Lilás é o primeiro texto da dramaturgia brasileira montado pelo grupo Boca de Baco, que surgiu em 1990. A direção é de André Lopes.
E finalmente, às 22 horas, no Teatro Núcleo 1, os atores curitibanos do grupo A Rainha de Duas Cabeças apresentam o espetáculo Hamletrash - uma versão moderinha do clássico de Shakespeare. O trash do título se refere ao que restou da cultura contemporânea sucateada. Em outras palavras, trata-se de um hamlet de óculos escuros refletindo sobre o ato de fazer teatro.
Há humor no espetáculo. Seja no diálogo ou mesmo nas marionetes de barbies louras representando personagens ou nas caricaturas de Gerald Thomas e Denise Stoklos. No palco, apenas dois atores - Cesar Almeida e Pagu.
q A Cobra na Bacia - com o grupo Plantão Sorriso. Das 10 às 11h30, no Calçadão (em frente ao Cine-Teatro Ouro Verde)
q Grupo Sesc/Proteu/Teatro da 3ª Idade - com fragmentos de peças e depoimentos dos integrantes. Das 14 às 17h30, no salão do Sesc da Fernando de Noronha.
q Abajur Lilás - com o grupo Boca de Baco. Às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85)
q Hamletrash - com o grupo A Rainha de Duas Cabeças. Às 22 horas, no Teatro Núcleo 1 (Rua Quintino Boicaúva, 1243)


