De pires na mão, FML faz campanha para saldar déficit
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quarta-feira, 18 de julho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
O governo do Estado deixa a área cultural de pires na mão, tendo que pedir ajuda da comunidade londrinense para tentar saldar o déficit de cerca de R$ 70 mil, com a retirada de 75% da verba prometida para o 27º Festival de Música de Londrina (FML).
Na expectativa de cobrir o déficit, a organização decidiu apelar e lançou um campanha de apoio financeiro ao festival, principalmente entre os empresários, através da doação direta ou patrocínio por meio da Lei Rouanet, que permite o abatimento no Imposto de Renda.
''Com isso espero cobrir o buraco no orçamento do festival. Caso não consiga, não sei como será. Porém, prefiro acreditar na comunidade londrinense. O festival é nosso. Temos certeza, que a campanha vai dar certo e vamos cobrir os custos do evento'', afirmou o diretor artístico do FML, Marco Antônio de Almeida.
Com um orçamento previsto em R$ 850 mil, os organizadores esperavam contar com R$ 200 mil do governo estadual, que só liberou R$ 50 mil, o que não é suficiente para cobrir os gastos do evento.
Almeida ressaltou que mesmo com a decisão do governo, a organização decidiu não alterar a programação de cursos e apresentações do festival. ''Quando fiquei sabendo do corte, tentei cancelar cursos, mas ao analisarmos as fichas dos mais de mil alunos do festival, verificamos que vários não tinham endereço de e-mail. Se a comunicação com eles fosse feita por carta, não conseguiríamos avisá-los, antes do embarque para Londrina. Pensei em reduzir o evento, mas também não poderíamos porque as passagens aéreas já estavam compradas e o prejuízo seria ainda maior. Optei por deixar o festival com o mesmo brilho'', comentou Almeida.
Para contornar o problema, a organização do FML contou com a compreensão dos professores e artistas que participam do evento, que abriram mão de 20% do valor dos cachês, reduzindo em R$ 80 mil, o déficit de R$ 150 mil do evento, restando ainda R$ 70 mil. A doação poderá ser feita até dezembro.
A campanha conta com apoio da Marajó, Caixa Econômica Federal e Sercomtel. As doações poderão ser feitas por telefone, através dos números 3374-0910 (para doar R$ 10,00); 3374-0920 (para doar R$ 20,00) e 3374-0930 (para doar R$ 30,00). Clientes de outras operadoras podem depositar as doações na conta da Associação de Amigos do Festival de Música de Londrina, Banco Itaú, agência 4018, conta corrente 58624-0.
Não é a primeira vez que o FML enfrenta a situação. O ex-presidente da Associação dos Amigos do Festival de Música de Londrina, Carlos Roberto Appoloni, lembrou que na gestão Álvaro Dias, houve um corte semelhante.
''Naquela ocasião, uma parte da comunidade ajudou e entendeu, mas houve outra, inclusive da própria comunidade musical, que não se moveu e não deu apoio e ainda criticou, dizendo que o problema ocorreu por falta de capacidade administrativa do festival'', lembrou Appoloni.
O ex-presidente da associação, lamentou a decisão do governo:''Recebemos com extremo desagrado. Entendemos que é uma falta de respeito tremendo com a comunidade londrinense, principalmente depois de tudo (o apoio financeiro) ter sido combinado. Depois do que aconteceu com o FILO, já havia uma preocupação com o Festival de Música, mas a própria secretária (Vera Mussi) assegurou que não iria acontecer a mesma coisa. No entanto, na semana seguinte, aconteceu o corte'', completou Appoloni.


