Ser autor principal de uma novela da Globo é o objetivo de boa parte dos colaboradores. E o caminho para alcançar o cobiçado posto nem foi tão longo para Daniel Ortiz. À frente do texto de "Alto Astral", próxima novela das sete, ele trabalhou como colaborador em apenas duas novelas: "Passione", de 2010, e "Guerra dos Sexos", de 2012, ambas de Silvio de Abreu. Antes disso, assinou o primeiro folhetim da Arábia Saudita, "Between Love and Past" ("Entre O Amor e O Passado", em tradução livre), transmitido pela rede MBC para 22 países, em 2009. Foi, inclusive, nessa época, que Ortiz e Silvio, que já se conheciam há alguns anos, colocaram em prática o plano de trabalhar juntos.
Depois de "Passione", o autor veterano mostrou ao seu "pupilo" a sinopse de Andréa Maltarolli, falecida em 2009, que deu origem à nova trama das sete. "'Alto Astral' foi trabalhada pela Andréa e pelo Silvio, depois por mim e pelo Silvio em 2011 e, desde o ano passado, retomamos e incluímos histórias novas. Fiz uma outra adaptação em cima da anterior. É uma novela bem amadurecida", avalia Ortiz.
Na primeira leitura da sinopse, Ortiz ficou na dúvida de como desenvolveria a trama. Mas, depois de alguns dias, começou a colocar "a sua cara" nos capítulos e o trabalho fluiu melhor. "O que pude aproveitar da Andréa, eu aproveitei. Às vezes, era uma linha de uma cena até por uma homenagem. Mas a história mudou", explica.
O fio condutor principal de "Alto Astral" gira em torno de Caíque e Laura, interpretados por Sérgio Guizé e Nathalia Dill. Os dois estão ligados por algo que aconteceu em vidas passadas e se reencontram. Ela é justamente a moça cujo rosto Caíque desenha desde a infância. O rapaz, que é médium e conversa com espíritos, logo a reconhece. Mas Laura apenas sente uma conexão muito forte. O problema é que ela está prestes a se casar com Marcos, papel de Thiago Lacerda, irmão de Caíque e grande vilão da novela. "Laura nunca conheceu o amor verdadeiro, mas, quando aparece Caíque, tem toda essa ligação mágica e ela fica perdida", adianta o autor. "É uma história muito romântica. Até as tramas secundárias são bem românticas", acrescenta.
A motivação da mocinha, no entanto, não é apenas a amorosa. Laura, que cresceu pensando que a mãe havia morrido, descobre que sua mãe biológica, na verdade, é outra pessoa. E está viva. Mas, durante suas investigações, a jovem chega ao nome de quatro mulheres: uma delas é quem procura.
A parte de comédia escrachada, típica do horário das 19 horas, fica mais concentrada no núcleo de Samantha, de Claudia Raia. Anos atrás, a personagem percebeu que era médium porque ouvia uma voz avisando de tragédias antes de acontecerem. Ela, então, usava a informação para salvar as pessoas do evento previsto. Com o tempo, Samantha resolve ganhar dinheiro com seu dom. Mas o espírito para de falar com ela como forma de punição. "Para não ficar esquecida e não deixar de ser famosa, ela começa a forjar tragédias para salvar todo mundo antes", conta.
A história se passa na fictícia Nova Alvorada. A ideia que Daniel Ortiz tinha em mente para ambientar sua trama era de uma cidade média do interior de São Paulo, com shoppings, restaurantes e aeroporto. "Queria algo como Ribeirão Preto, onde eu cresci", revela o autor de 42 anos. A solução encontrada pelo diretor Jorge Fernando foi gravar algumas cenas em Poços de Caldas, em Minas Gerais. "Nova Alvorada mistura um pouco a atmosfera de uma cidade grande do interior com um ar bucólico", ressalta. "Alto Astral" também teve sequências rodadas em Pedra Azul, no Espírito Santo, e conta com supervisão de texto de Silvio de Abreu.

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