Agora parece ser quase oficial: tudo é arte. Ou, ao menos, pop. O sonho do artista, cultura e história sem separações entre popular e erudito, alto ou baixo, está em England is Mine - Pop Life in Albion From Wilde to Goldie , do inglês Michael Bracewell.
Lançado no final de 97, o livro (A Inglaterra É Minha - Vida Pop em Albion ) segue uma linha aberta por uma geração de ensaístas que se formaram em meio às libertárias idéias dos anos 60 e que, na década de 90, procuram moldar uma nova ‘‘visão crítica’’.
Para pessoas como Greil Marcus, professor da Universidade da Califórnia e autor de ‘‘Invisible Republic’’ - em que explica a vida e arte dos EUA pós-1945 por meio das canções de Bob Dylan -, existe um elemento constante que pertence a uma cultura.
Uma busca, sonho ou desejo que estariam presentes tanto nas formas mais elaboradas de expressão artística quanto nas mais populares, a ponto de tudo ser, de certa maneira, cultura pop. A reflexão e o divertimento fariam então parte de uma mesma obra de arte. Não importando se esse objeto é um poema ou uma banda.
De maneira sintomática, os astros de música pop são uma constante nos textos de Bracewell. A tese de seu trabalho é a de que seu país persegue a idéia de arcádia. Esse desejo de paraíso campestre estaria presente - e evidente - tanto nos versos de Shakespeare e W.H. Auden quanto no cinema de Derek Jarman, no trabalho do grupo Pet Shop Boys ou na quase ‘‘não-música’’ de Goldie.
Outro trabalho do mesmo gênero, também recém-lançado, é Blimey! From Bohemian to Britpop - The London Artworld From Francis Bacon to Damien Hirst (‘‘Blimey! Da Boemia ao Britpop - O Mundo da Arte de Londres de Francis Bacon a Damien Hirst’’).
Escrito em forma de verbetes pelo crítico Matthew Collings, o que o livro não procura é uma explicação para a cena britânica. Seu pressuposto é o de que tudo pode assumir a condição de cultura ou arte. Até mesmo um gesto. ‘‘Muitas vezes a questão sobre arte é sobre sua permanência. E se a resposta fosse não, quem se importaria? A boa coisa é que ela nasce da cultura underground, mas ainda assim é uma forma elevada de arte. Pode ser alto e baixo a um só tempo’’, escreve ele.
‘‘O que acontece hoje’’, fala o crítico russo Boris Groys, ‘‘é uma espécie de repetição de algumas idéias de Andy Warhol. A grande questão é, como nos trabalhos dos norte-americanos Richard Phillips e Elizabeth Peyton - que pintam capas de revistas de moda dos anos 60 e bandas de rock,
respectivamente - isso representa algo novo ou estamos ainda nos anos 60’’. Para Groys, que fez parte do corpo crítico da edição de balanço do ano passado da revista norte-americana Artforum , em que alguns especialistas escolhiam notícias como obras de arte, podemos estar diante de um cenário cultural inteiramente novo, sem distinções entre erudito e popular. Só não sabemos ainda o que fazer com ele.
• England is Mine - Pop Life in Albion From Wilde to Goldie - de Michael Bracewell. Harper Collins, 18 libras esterlinas (246 págs.)
• Blimey! From Bohemian to Britpop - The London Artworld From Francis Bacon to Damien Hirst - de Matthew Collings. 21 Publishing, libras esterlinas (219 págs.)

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