Ranulfo Pedreiro
De Londrina
A indústria fonográfica tem mostrado um poderio inédito no Brasil, onde estão se tornando comuns vendagens superiores à casa do milhão. Respaldados pelos resultados de ‘‘Terra Samba ao Vivo e a Cores’’, disco que vendeu 2,7 milhões de cópias, os integrantes do grupo pretendem repetir a marca com ‘‘Auê do Terra’’, que já está nas prateleiras.
O disco traz poucas novidades em relação ao anterior. A estrutura é a mesma: samba-de-roda do Recôncavo baiano estilizado com forte pegada percussiva, arranjos de teclados, metais e letras descartáveis. Como o Terra Samba tem um ritmo imponente nas apresentações, neste novo trabalho em estúdio o cuidado com a percussão foi redobrado.
O ritmo sustenta vários chavões da axé music: ‘‘Pega aqui, pega assim, pega a풒 (‘‘No Ponto’’); ‘‘pegue no joelhinho, com muito carinho/ Vai subindo a mão, que emoção’’ (‘‘Banho de Chuveiro’’); ‘‘segura no pé, não tem essa não/ Balança esse corpo e levanta as mãos’’ (‘‘Dáli Louco’’); ‘‘eu quero ver essa galera agitar/ Fazer au꒒ (‘‘Auê do Terra’’); ‘‘teu rebolado me enlouquece/ Ah, meu Deus, que loucura’’ (‘‘Suingue do Terra’’).
‘‘Vamos fazer o lançamento oficial dia 2 de outubro em Salvador com o Lulu Santos. Já gravamos um clipe em Cuba e esperamos atingir a mesma marca ou até maior que o disco anterior’’, comenta o percussionista Mário Ornellas, um dos fundadores da banda, em entrevista por telefone.
‘‘A gente deu mais um toque nos arranjos e resgatou algumas coisas esquecidas, o trabalho está mais percussivo, com uma levada mais nossa’’, completa. A música de trabalho do lançamento é ‘‘No Ponto’’, de Tonho Matéria, Beto Correa e Cleber Bittencourt.
O Terra Samba também optou por trazer um cover de ‘‘Palpite’’, sucesso de Vanessa Rangel e anuncia a substituição da dançarina e backing vocal Alessandra Veiga, que está grávida e ficará temporariamente fora do grupo. Em setembro eles embarcam para os Estados Unidos, onde vão realizar um show durante o Carnaval da 5ª Avenida, em Nova York.
O percussionista Ornellas alerta para a velocidade que a pirataria alcançou no país: ‘‘A gente lança o disco e dez dias depois já tem CDs piratas circulando’’, reclama. O Terra Samba surgiu em 1989, em Salvador, onde o grupo passou os anos de 91 a 93 se apresentando em boates e bares. Na época, lançaram um CD que não teve grande repercussão. Em dez anos de estrada a banda gravou cinco discos. Com o sucesso de ‘‘Terra Samba ao Vivo e a Cores’’, os músicos iniciaram carreira internacional, tocando no Paraguai, Uruguai, Portugal, Alemanha, Itália e no Festival de Montreux.

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