De olho na produção brasileira
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de agosto de 1998
Rui Martins Especial para a AE 
O diretor do Festival de Friburgo, na Alemanha, Martial Knaebel, anunciou em Locarno, na Suíça, que virá a São Paulo em setembro - onde deve permanecer por dez dias - para manter contatos, encontrar-se com cineastas brasileiros e escolher filmes para sua mostra competitiva. O Festival de Friburgo, em março, logo depois do de Berlim, sempre prestigiou o cinema nacional, mesmo porque Knaebel se confessa um admirador da cultura brasileira. Em São Paulo, ele participará do Festival de Curtas-Metragens, de 20 a 30 de setembro, onde está previsto um encontro de diretores de festivais de curtas.
Todos os anos nós temos pelo menos um curta-metragem brasileiro em Friburgo, porque o Brasil tem os melhores curtas do mundo, afirma. O contato do diretor no Brasil é Andrea Seligman, que irá colocá-lo em contato com Leon Cakoff, da Mostra de Cinema, para uma eventual colaboração. Espero retornar com diversos filmes brasileiros e me informar sobre a situação do cinema atual do País, cinema que ressurge.
Knaebel, porém, não se diz um admirador de Central do Brasil, de Walter Salles, premiado com o Urso de Ouro em Berlim, por considerá-lo mais hollywoodiano que brasileiro. Os filmes que selecionamos para Friburgo e que geralmente vejo em Havana são mais fiéis a uma maneira bem brasileira de contar histórias, diz Knaebel, que já tem pelo menos um filme brasileiro escolhido para seu próximo festival.
O diretor diz compreender as dificuldades do Festival de Locarno em obter filmes brasileiros - geralmente enviados para Veneza. Os brasileiros preferem estréias mundiais em Cannes, Veneza ou Berlim, os três mais importantes festivais, comenta. Em Friburgo, algumas vezes, temos dificuldades em obter as fitas dos filmes. Mas, geralmente, podemos projetar os filmes brasileiros que desejamos, porque não exigimos exclusividade e nem estréia mundial.
Knaebel afirma que o fato de alguns festivais não incluírem filmes brasileiros nas mostras competitivas - como vai ser o caso deste ano do Festival de Veneza - não significa que os filmes brasileiros sejam ruins, analisa. Significa simplesmente que a moda atual é a de só apresentar filmes produzidos por Hollywood. É o pensamento único em termos de cinema, em detrimento da riqueza do cinema e da possibilidade de escolha dos espectadores, afirma.
Martial Knaebel destaca que sua mostra em Friburgo garante aos melhores filmes uma exibição nas principais cidades suíças, com bom público e 50% da bilheteria para os produtores. Diante da dificuldade de distribuição dos filmes brasileiros no exterior, essa oportunidade lhe parece atraente para os diretores brasileiros.
Daniela Thomas, que dirige com Walter Salles, o filme Meia-Noite, em competição no Festival de Locarno, chegou ontem a Locarno, quando o filme teve uma exibição só para a crítica. A apresentação para o público será hoje, no fim da tarde, num cinema com capacidade para três mil pessoas.


