A Band resolveu investir no jornalismo popular. Para isso, a emissora escalou a simpática jornalista Sílvia Poppovic, que se consagrou na televisão brasileira apresentando programas de debates. Os principais fatos do dia mesclados com opinião incisiva de Sílvia vão ser a marca do telejornal, previsto para estrear ainda em agosto, das 18 às 19h30. Estrategicamente, o telejornal vai bater de frente com o já bem-sucedido ‘‘Cidade Alerta’’, ancorado por José Luiz Datena, na Record, que mantém uma média de 16 pontos no Ibope. ‘‘Tenho de reconhecer que o Datena faz um programa muito bem-feito. Ele, inclusive, conseguiu criar uma fórmula diferente e sem ser apelativa. Por isso, a concorrência vai ser muito estimulante’’, enfatiza Sílvia.
Seguindo os passos do telejornal da Record, o da Band também vai contar com helicóptero para trazer as informações de trânsito, principalmente da capital paulista. Outro ponto comum entre os dois telejornais é a prioridade para as notícias mais recentes do país e do mundo. ‘‘Para fazer uma produção competitiva, precisamos seguir esta tendência’’, explica Sílvia. Para ela, lidar com notícias é o mais saboroso e interessante do jornalismo. ‘‘Tudo que é dinâmico na televisão se torna mais atraente’’, completa.
A idéia de fazer o novo telejornal partiu do diretor de criação da Band, Rogério Gallo. Desde junho, Gallo vem promovendo um amplo processo de reformulação na Band, usando a experiência de quem implantou a MTV brasileira e a Rede TV!. A idéia de Gallo é a tornar a Band mais popular e para isso criou o ‘‘Melhor da Tarde’’, apresentado por Astrid Fontenelle, Aparecida Liberato e Leão Lobo. Outra programa que leva a assinatura do diretor de criação é ‘‘A Hora da Verdade’’, com debates calorosos comandado por Márcia Goldschmidt. ‘‘Para conquistar audiência, é necessário fazer uma programação popular. Mas buscamos não ser apelativos’’, teoriza Gallo.
Sílvia Poppovic aposta na estratégia do diretor da Band. Ela acha importante esta popularização. ‘‘Estas mudanças só ocorreram para emissora se tornar mais competitiva’’, ratifica Sílvia. A jornalista também aprovou a mudança de função na emissora. Depois de quase dez anos de Band, Sílvia achava que realmente precisava de uma virada profissional. ‘‘A proposta também me estimulou muito. Espero que o público que conquistei ao longo dos anos, também goste e me acompanhe’’, planeja Sílvia.
Mas o cargo de apresentadora de telejornal não chega a ser exatamente uma novidade na carreira de Silvia. Durante muitos anos, ela fez a mesma função em diversas emissoras. No final da década de 70, apresentava um telejornal na extinta TV Tupi. Foi estudar no exterior e, ao regressar dos Estados Unidos, foi contratada pela Globo. Lá apresentou o ‘‘Globo Rural’’ e depois esteve na bancada do ‘‘Jornal da Globo’’. Em meados dos anos 80, Sílvia passou pela Record.
Em 1989, quando a população brasileira voltou a votar diretamente para presidente da República depois de 20 anos de ditadura militar, Sílvia trabalhou como assessora de imprensa do ex-deputado e então candidato à presidência Ulisses Guimarães. Ao deixar a assessoria política, Sílvia passou rapidamente pelo SBT. Ela foi convidada por Sílvio Santos para apresentar um programa de auditório. ‘‘Acabou não dando certo’’, reconhece. Ainda no início da década de 90, se transferiu para Band, onde está até hoje. ‘‘É uma emissora onde me dá total liberdade’’, enfatiza.

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