DE OLHO NA NATUREZA
O Rio Paraguai corta o santuário desvendando as exuberantes flora e fauna
Agência Estado
ReproduçãoEm qualquer épocaO nascer e o pôr-do-sol proporcionam imagens de beleza quase indescritível explodindo em nuances de cores que se esparramam pelo céu e pela água.Os habitantes de Cáceres - cidade incrustada à beira do Rio Paraguai, a sudoeste do Mato Grosso, a 200 km de Cuiabá e a 96 de San Matias, na Bolívia - enchem o peito para anunciar que ali é a porta do Pantanal. O município situa-se na cabeceira do santuário ecológico, na Bacia do Alto Paraguai, formada pelos Rios Sepotuba, Cabaçal, Jauru e Paraguai, sua espinha dorsal.
Com os rios repletos de peixes, como o dourado, pintado e pacu, em setembro Cáceres é palco para o Festival Internacional de Pesca registrado no Guiness Book como o maior torneio de pescaria em água doce do mundo. Em março, é a vez do Festival da Piranha. A fartura, porém, começa a ser ameaçada pela pesca indiscriminada. Os pescadores nativos são os primeiros a reclamar. ‘‘Seu’’ Canuto, velho pantaneiro que hoje toma conta da sede da Reserva Ecológica de Taiamã, alerta: ‘‘Na piracema, dava até 600 kg de pintado; agora, não dá nada. Isso aqui já foi bom.’
Para tentar reverter o processo, em 1995 foi criada a Lei da Pesca, que proíbe a atividade entre novembro e fevereiro, período em que os peixes sobem o rio para a desova. ‘‘É preciso acabar com a pesca profissional e incentivar a pesca esportiva’’, defende Arildo José Faria. Nascido e criado em Cáceres há 42 anos, hoje Arildo pilota uma lancha pelo Pantanal, servindo de guia para os visitantes, e ao mesmo tempo transformando-se em um vigilante atento para garantir a preservação da área pantaneira. ‘‘Aqui tem matança indiscriminada de jacarés, é rota de tráfico de drogas, peixe e animais’’, denuncia.
Criada no início do ano passado, a Secretaria Municipal de Turismo já começou a trabalhar para que as águas e a terra de Cáceres - cerca de 11% de todo o Pantanal - acentuem sua vocação para o turismo ecológico, de aventura ou científico.
Edifícios antigos e depredados começam a ser catalogados e recuperados. Antigas fazendas transformam-se em pousadas e rios, lagos, cachoeiras e cavernas são enumerados para fazer parte da oferta de excursões para o turista aventureiro. Entrar pelo Pantanal por meio do Rio Paraguai é a melhor pedida. É uma trilha aquática de mais de 170 km que leva à Reserva Ecológica de Taiamã e, pelo caminho, desvenda as exuberantes flora e fauna pantaneiras. O célebre tuiuiú, ave majestosa com 1m50 de altura e marca do Pantanal, desfila tranquilamente pelas margens do rio ao lado de jacarés e capivaras. Taimãs, garças, águias pescadoras e papagaios da cabeça roxa voam calmamente por ali.
O cenário vai se modificando ao longo do ano: de julho a setembro, com a descida das águas, surgem as praias e os ipês roxos e amarelos começam a florir. Em outubro, inicia-se o período de chuvas e fevereiro é o pico da enchente. A partir de março, as águas começam a baixar. Seja qual for a época, o nascer e o pôr-do-sol proporcionam imagens de beleza quase indescritível, explodindo em nuances de cores que se esparramam pelo céu e pela água.
No caminho, encontram-se pousadas à beira do rio ou barcos-hotéis sobem e descem pelas águas. As terras que margeiam o Paraguai comportam vestígios das tribos indígenas. É naquelas margens, também, que se encontram antigas fazendas, como a do Barranco Vermelho e a do Descalvado, que começam a ser transformadas em pousadas.
De volta a Cáceres, vale a pena excursionar em terra firme. Entre as montanhas da Serra das Araras, repleta de cachoeiras, já foram encontradas pelo menos 27 cavernas. Uma delas, a das Águas Milagrosas, na Fazenda Sesmaria do Quilombo, desabou e virou um deslumbrante lago de águas azuis.

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