Confrontar ciência e religião no cinema pode ser interpretado como reflexo muitas vezes exagerado e nada casual de alguns sintomas característicos de nosso tempo, mais concretamente a presença forte da peculiar corrente neo-conservadora, que tenta substituir as teorias evolucionistas pelo determinismo criacionista. Alguma coisa - pouca coisa - deste confronto pode ser deduzida do argumento de ''A Colheita do Mal'', filme com vocação não inteiramente assumida para o terror e que chega hoje ao mercado brasileiro (confira a programação de cinema na página 2).
Katherine Winter (Hilary Swank) perdeu a fé e abandonou a vocação de missionária cristã depois do assassinato de sua família. Agora ela dedica seu tempo à investigação de fenômenos religiosos - os populares milagres -, o que a leva a uma região rural da Louisiania onde tudo leva a crer que estão ocorrendo fatos inexplicáveis muito parecidos com aquelas pragas relatadas pela Bíblia. Katherine tenta abrir as porta de uma série de elementos sobrenaturais, mas pela primeira vez não consegue explicar cientificamente os fenômenos.
A narrativa vai ganhando razoável intensidade ao lidar com o terror quando a personagem descobre forças obscuras que transformam o lugar num inferno, e não por coincidência. Com base em roteiro tão simples quanto propositalmente ilógico, mas de considerável consistência, e que se apóia comodamente em todos os elementos requeridos pelo gênero, ''A Colheita do Mal'' encontrou no diretor Stephen Hopkins alguém com a capacidade mínima de enxertar a necessária dose de espanto a um argumento que, para satisfação da platéia, não é deste mundo.
Não que aquilo que está na tela seja novo. Pelo contrário, há ''empréstimos'' que vão de ''O Exorcista'' a ''O Bebê de Rosemary'', além de convenções e previsibilidades ao longo do caminho. Mas isto não chega a tornar o filme desprezível. E a presença de Hilary Swank, sempre convincente e carregada de energia, dá respaldo a esta história dotada de certa força e inegável apelo visual.

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