DivulgaçãoRobert De Niro faz um psicopata com os pés no chão, e não um obcecado qualquer‘‘O filme é sobre ter ou não ter. Dois caras com diferentes estilos de vida: um é uma estrela, o outro é uma alma perdida que não tem nada’’. Assim o diretor inglês Tony Scott (irmão de Ridley e responsável por ‘‘Fome de Viver’’, ‘‘Top Gun’’ e‘‘Maré Vermelha’’, entre outros) define ‘‘Estranha Obsessão’’ , seu mais recente filme(veja a programação na página 3) . ‘‘The Fan’’ é sobre o que acontece quando estrelas e almas perdidas se chocam. Robert De Niro é Gil Renard, um fanático torcedor não de beisebol, mas de Bobby Rayburn (Wesley Snipes), um superastro com o mundo a seus pés. Quando sua carreira sofre um repentino colapso, o fã fará de tudo - inclusive matar - para ajudar seu ídolo.
Felizmente o roteiro de Phoef Sutton (com um não creditado polimento de Frank Darabont, o autor da bela história de ‘‘Um Sonho de Liberdade’’) criou um psicopata com os pés no chão, e não um obcecado qualquer. O Gil Renard de De Niro, a exemplo do Travis Bickle de ‘‘Taxi Driver’’, não é doente mental. O homem é um desiludido vendedor de facas que fica sem o emprego. Casado, acaba de ser desprezado pela mulher. Pai, perde o direito de ver o filho. Completamente desestruturado, a ele resta a idolatria. Concentra no ídolo Rayburn a única razão de viver. Durante um programa de rádio, ao vivo, os dois são apresentados e Renard têm a chance de falar ao seu deus dos estádios. Mas o mundo de Renard continua desmoronando; e para ele as regras e os regulamentos do beisebol parecem mais justos do que a vida, que não tem regras ou regulamentos. É de longe o mais complexo psicopata já criado por De Niro, por causa de sua exasperante normalidade.
Realidade e fantasia ‘‘Todo mundo conhece um Gil Renard’’, diz a produtora Wendy Finerman, ganhadora de um Oscar por ‘‘Forrest Gump’’. Para ela, ‘‘eles são pessoas normais na sociedade, mas algo acontece que os faz mudar, assim sem mais, num estalar de dedos’’. E o limite entre realidade e fantasia fica enevoado, sem qualquer definição.’’ Robert De Niro fez muita pesquisa para chegar ao personagem. Durante semanas o ator conversou com vendedores de facas para saber o que faziam, o que comiam, onde moravam, com que eram casados, quais os problemas, as alegrias, as manias. E para entender ainda melhor os mecanismos da mente de Renard, o diretor Scott e De Niro estudaram a vida e os impulsos de algumas famosas personalidades criminosas, como John Hinckley Jr., o quase-assassino de Reagan, e o autor dos disparos que mataram Lennon, o fanático Mark Chapman. Após muitas horas examinando material em vídeo com confissões de assassinos, Tony Scott nao pôde deixar de observar: ‘‘Há um bocado de pathos e tristeza nessas pessoas. É surpreeendente como elas são normais’’.
Embora não seja um filme sobre beisebol, a produção contou com importante assessoria especializada. Os atores treinaram com jogadores profissionais, e algumas cenas cruciais foram realizadas no Candlestick Park, de São Francisco. Completam o elenco principal de ‘‘Estranha Obsessão’’ a atriz Ellen Barkin como uma bem-sucedida repórter esportiva; John Leguizamo como o agente do ídolo; e o porto-riquenho Benicio Del Toro, ator que deve acontecer neste final de década. Mas os refletores ficam mesmo sobre De Niro, com todas as honras um expert em psicopatologias . Quem melhor do que ele para cruzar esta linha difusa entre sanidade e loucura, entre mansidão e violência ? O know-how vem de 20 anos, quando Martin Scorsese exorcizou os demônios da solidão e deixou solto nas ruas de York o ‘‘taxi driver’’ Travis Bickle, anjo protetor da mini-prostituta Jodie Foster. Depois, de volta sob Scorsese, agora sequestrando o ídolo artístico Jerry Lewis em ‘‘O Rei da Comédia’’(83). E finalmente refazendo os caminhos malditos do personagem Max Cady em ‘‘Cabo do Medo’’ (94) , sempre ao lado de Scorsese. É uma galeria respeitável, sem dúvida.

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