De modo geral, público gostou do que viu
Dorico da SilvaBeth Néspoli: para a jornalista do ‘‘Estadão’’, festival retira arte da ‘‘vala comum’’ do entretenimentoCelso Pacheco/DivulgaçãoO médico Luiz Parellada diz que o grupo Cacahuete deu dois espetáculos: o deles e o dos comentários que provocaramO público do Filo 99 também fez sua avaliação. Impressões positivas e negativas. Gente que gostou e que desprezou. Que reagiu. É o balanço do espectador. A opinião do coordenador do colegiado do curso de Artes Cênicas da UEL, Mauro Rodrigues, é de que o Filo 99 foi uma ‘‘grande mostra do que está por vir no século 21’’. ‘‘O festival é o resgate do que é essencial no teatro - o corpo e a voz em sua extensão expressiva, passando pela arte dos clowns, do ator trágico, cômico e dramático, dos bonecos, da dança, dos info-meios que resgatam a questão plástica e da literatura que permeia todas essas questões cênicas’’. Outro ponto importante, na opinião de Rodrigues, é a programação paralela do festival. ‘‘Isso é fundamental para criar o diálogo entre o que é feito aqui e lá fora’’, diz.
A jornalista Beth Néspoli, do jornal ‘‘O Estado de S.Paulo’’, veio a Londrina fazer a cobertura do festival e diz que o evento se antenou para a tendência da desfronteirização das artes. ‘‘Embora no ano passado isso já tenha acontecido, nesta edição virou mote. O festival está caminhando para o ano 2000 na ponta’’, acredita. Ela também elogiou a capacidade de transformação do Filo ao longo de 32 anos. Beth Néspoli diz que a principal qualidade do evento é a restauração da importância da arte. ‘‘Retirar a arte dessa ‘vala comum’ do entretenimento e recolocá-la como um divertimento que provoca reflexão, que inaugura um novo olhar. O Filo instaura na cidade um fato cultural, com grande inserção na comunidade’’, observa.
O médico patologista Luis Parellada, de Londrina, assíduo na platéia do Filo, comentou os espetáculos e destacou Denise Stoklos como uma ‘‘atriz fantástica, dona de uma proposta inovadora’’, e a montagem ‘‘Cuando La Vida Eterna Se Acabe’’, do grupo espanhol La Zaranda, como ‘‘o espetáculo de maior impacto’’.
Já o grupo belga ‘‘Wim Vandekeybus & Ultima Vez’’ não empolgou o médico, que classificou a apresentação como ‘‘longa e um pouco cansativa’’. As atrações de rua foram as que mais chamaram a atenção de Parellada. ‘‘O grupo francês Cacahuete proporcionou dois espetáculos: o deles e outro, com os comentários das pessoas que foram surpreendidas’’- diz. J.S. (colaborou: Elisa M. Carneiro)

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