Cristiane Grande
Especial para a Folha
Caminhar em busca de um destino sonhado, descrito maravilhosamente nos livros da escola. Ver artes, pinturas, esculturas e monumentos de épocas passadas e também futuras. E continuar a caminhar, com a mochila nas costas e muita vontade de descobrir algo, qualquer coisa, desde que seja uma experiência totalmente individual.
Esse é o roteiro feito por todos os ‘‘mochileiros’’, palavra já popularizada que define perfeitamente o turismo realizado por milhares de jovens de diversas nações, lá no Velho Mundo.
Viajar de trem, dormir em albergues da juventude, gastar pouco e usufruir o máximo, é uma opção mais do que interessante para quem quer conhecer a Europa. A idéia atrai os jovens em sua maioria. Mas, todo mundo, independente da idade, é bem-vindo nessa viagem.
Quem já foi, afirma que a experiência é única e inesquecível. Valores pessoais são repensados, medos e preconceitos são superados. A viagem é com certeza enriquecedora tanto na parte cultural, como na formação pessoal. Mas, e o dinheiro, como conseguir?
Dizem os viajados (gíria para definir quem conhece muito lugares) que, mesmo o dólar valendo quase o dobro, o dinheiro não é o mais difícil de superar. Pode ser guardado, ainda que leve tempo, ou pode ser ‘‘emprestado’’ dos pais. Encarar o desafio é o verdadeiro problema. As dificuldades são a falta de informação, de companhia, de incentivo de amigos e família, de fluência em idiomas, a idade (considerar-se velho), a insegurança e não saber realmente como sair do país, para onde ir ou o que fazer.
Porém, o Velho Mundo é acolhedor, recebe carinhosamente os turistas independentes. A língua inglesa, o idioma de integração, facilita a comunicação entre todos os povos.
Circular pela Europa é viajar pela história mundial. Por isso desbrave, caminhe, descubra seus pontos turísticos favoritos. Imagine o passado e o futuro acontecendo a sua volta. Roma e Atenas representam a Antiguidade, seguida do interior francês e suas cidades medievais. A Renascença tem seu apogeu na Itália, o Barroco na península Ibérica, o Modernismo e o Pós-modernismo nos novos centros das grandes cidades.
Se você não gosta de museus é porque não conhece o Louvre, em Paris; o Museu do Prado, em Madri ou o Museu de Tecnologia, em Munique. Dentro de um museu não há apenas arte, existe o contato com um pensamento, uma história, um povo, uma civilização. Mas, caso não goste de museus mesmo, não se preocupe. A Europa vai além pois possui uma diversidade cultural, em termos de fauna, flora, música, culinária, arquitetura e muito mais.
Para se comunicar, matar a saudade do Brasil, dos amigos e tranquilizar os pais, é fácil. O Velho Continente está on-line, conectado com o mundo 24 horas. Assim, é normal encontrar bares com computadores nos balcões e notebooks nas mesas. Você paga por tempo de uso. Para encontrar esses pubs, pergunte na Informação Turística da cidade.
Aliás, todas as cidades médias e grandes têm seu guichê de Informação Turística, geralmente na ferroviária e no centro. Procure por um ‘‘i’’ de informação. São os melhores lugares para adquirir um mapa local gratuito, confirmar a localização dos albergues, os pontos turísticos e as promoções e eventos da semana.


Dicas
- Em muitos países na Europa, há um dia do mês que os museus são gratuitos para estudantes. Informe-se. Em Berlim (Alemanha) esta promoção ocorre no primeiro final de semana do mês. Mostre a carteira de estudante internacional. No primeiro domingo do mês, é a vez do Museu do Louvre, em Paris, abrir suas portas, mas as filas são longas e intermináveis.
- Na hora de comer, prove a comida e iguarias típicas de cada lugar, como as mussarelas de búfalo, na Itália; os crepes de chocolate, na França e as castanhas portuguesas, espalhadas em barraquinhas pelas ruas da Europa durante o inverno. Uma dica é evitar a zona central para fazer qualquer tipo de alimentação, pois é bem cara.
- Saiba que em pontos turísticos da Itália, além de se pagar muito paga-se por estar sentado e ainda o famoso coperto, que é a toalha da mesa e guardanapos, além de couvert se houver alguém tocando.
- Para quem vai de Londres à Paris a maneira mais econômica é de avião. O bilhete estudantil custa em torno de US$ 80 e pode ser adquirido em agência de viagem. Outras opções são o combinado trem/ferryboat/trem (demorado e cansativo) ou o Eurotúnel (cerca de US$ 120).
- Entre todas as dicas, a melhor é: faça amizades! Viajar serve para fazer amigos e estar com os amigos. Procure sempre conhecer o máximo de cada lugar, cada povo, cada cultura. Observe, pergunte, fotografe, anote tudo no seu diário. De vez em quando, deixe a filmadora de lado e curta a paisagem, faça parte do cenário. Aproveite a viagem. Aliás, levar filmadora nem é muito prático.O turismo independente é economicamente viável e bem acolhido em toda a Europa, continente que exerce fascínio sobre os mochileiros brasileiros
ReproduçãoLOUVRE O museu francês é um dos mais visitados da Europa, mas se você não gosta de museus não se preocupe: não faltam opções para ver e fazer

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