Os aficcionados pelo tango costumam dizer que essa dança é um vício. Quem experimenta, tem dificuldade em deixar de apreciar. Em Londrina, um grupo resolveu dividir sua paixão com outras pessoas, a partir da proposta de ter um espaço para se falar da cultura do tango de salão e aprender a dança. Em maio do ano passado foi criado, então, o Clube do Tango de Londrina.
A fisioterapeuta Débora Prado e a professora Sílvia Colman, integrantes do grupo, contam que inicialmente dois casais resolveram fazer reuniões informais para falar de tango e assistir a filmes específicos. Hoje, dez casais se reúnem semanalmente (às terças-feiras) para dançar, conversar ou somente apreciar os dançarinos na pista. A faixa etária dos integrantes é bem variada: dos 15 aos 70 anos.
Na semana passada, o Clube do Tango de Londrina realizou uma pequena milonga (baile) no Santo Ponto, local de ''treinos'' do grupo, para encerrar o semestre. Um dos convidados foi o argentino Marco Toniasso, professor em Curitiba, que há cada 15 dias vem a Londrina para dar aulas de aperfeiçoamento nos passos da dança. Na milonga, além de dar uma demonstração de tango com sua parceira, Elaine Paiva, ele convidou os demais casais para experimentar passos no salão. O baile foi animado pelo bandoneonista Aparicio Konse (Curitiba), o cantor Osvaldo Renê (Londrina) e o harpista e baixista Tito Veras (Paraguai).
Marco Toniasso, professor da Universidade do Tango em Buenos Aires, quer ficar dois anos no Brasil para ensinar um pouco mais da dança. Há quatro meses o argentino vem a Londrina para as aulas quinzenais. Em agosto, ele vai ministrar um curso intensivo de dois dias na cidade, numa promoção do Clube do Tango. O objetivo é conquistar novos adeptos para o grupo.
Débora Prado conta que a idéia do Clube do Tango surgiu depois de um curso em São Paulo com Antonio Júnior Servilha (dançarino brasileiro que atuou no filme ''Tango'', de Carlos Saura), ex-aluno de Marco Toniasso. ''Foi ele quem nos incentivou a começar as aulas'', lembra.
Os integrantes do clube londrinense estão fazendo as primeiras viagens para conhecer e dançar em outras milongas. Em outubro, alguns casais pretendem ir ao Festival de Tango em Buenos Aires, evento que também vai reunir outros clubes brasileiros, como os do Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo.
Mas o que fascina nessa dança? Para os apreciadores, é um dos ritmos mais bonitos e sensuais das danças de salão. ''É uma dança forte, sensual, estruturante. Faz com que a pessoa passe a ter uma postura melhor'', diz Débora Prado. Sílvia Colman confidencia que o tango proporciona um sentimento ''arrebatador''!
O tango de salão, explica Sílvia, é um diálogo entre casais. ''Isso é o que diferencia das demais danças de salão: a relação que se estabelece entre homem e mulher na dança''. Elas também complementam que o tango de salão é diferente do tango-espetáculo ou tango-show uma coreografia e, portanto, mais difícil.
Mas quem quiser se aventurar numa aula não deve se arrepender. Sílvia e Débora garantem que qualquer pessoa interessada pode dançar o tango de salão. Com alguns treinos e ensaios os novatos podem começar a aprender passos como giros, ganchos, boleios e os famosos oititos.
Os ensaios do Clube do Tango são embalados por clássicos interpretados por Carlos Gardel e outros nomes da música portenha, mas o preferido do grupo é Osvaldo Pugliese.
E o figurino dos dançarinos? Apesar de não ser obrigatório, as mulheres do Clube do Tango procuram se produzir ao máximo para as milongas. ''A gente curte colocar uma meia preta, um sapato de salto (preto ou vermelho), uma saia de franja ou um modelito todo preto'', ressalta Sílvia. ''E o figurino masculino pede um belo sapato de verniz''.
Débora Prado lembra que o tango de salão vem ganhando um movimento forte nos últimos tempos. ''Os jovens estão dançando mais. Na Argentina, houve um renascimento com as tanguerias cada vez mais frequentadas, principalmente por jovens. É um movimento semelhante ao que aconteceu com o forró no Brasil'', compara.
Várias cidades brasileiras têm hoje suas milongas (no Rio de Janeiro, por exemplo, quase todos os dias da semana há agenda para os adeptos do tango de salão). Em Londrina, além do Clube do Tango, algumas escolas também ensinam os passos da dança. E para quem curte ouvir o ritmo portenho, um programa de rádio é dedicado exclusivamente ao gênero musical. Apresentado por Mário Labella, ''Tangomania'' vai ao ar todos os domingos às 21 horas pela Universidade FM, com reapresentação às quartas-feiras, às 20 horas.
Serviço:
Clube do Tango de Londrina. Informações: (43) 339-2554, 323-8382 ou pelo e-mail [email protected].



''Numa sociedade cuja norma é a procura tacanha do próprio interesse material, a mudança para uma outra postura ética é muito mais radical do que percebe a maioria das pessoas. Em comparação com as necessidades das pessoas que morrem de fome na Somália, o desejo de colecionar vinhos das mais famosas marcas francesas empalidece até perder todo e qualquer significado. Comparado ao sofrimento de coelhos imobilizados em cujos olhos foram pingadas gotas de xampu, um xampu de qualidade mais alta torna-se um objetivo sem valor. A preservação de florestas antigas deveriam sobrepujar nosso desejo de usar toalhas de papel descartáveis. Uma abordagem ética da vida não nos proíbe de nos divertirmos, nem de desfrutarmos as comidas e as bebidas, porém, muda nosso sentido de prioridade. O esforço e o dinheiro empenhados na compra de roupas da moda, a busca incessante de prazeres gastronômicos cada vez mais refinados, a espantosa despesa adicional que separa o mercado de automóveis que dão prestígio do mercado de automóveis para quem deseja apenas um meio confiável de deslocar-se de A para B todas essas coisas tornam-se desproporcionais para as pessoas capazes de mudar de perspectiva pelo tempo necessário de se retirarem, pelo menos por momentos, do centro das atenções. Se uma consciência ética mais elevada se disseminar, ela mudará extremamente a sociedade as sociedade em que vivemos.''

(Fragmento de ''Vida Ética'')

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