Antônio mariano Júnior

ReproduçãoDois CDs, 35 músicas, exatos 120min33s de duração. Os volumes receberam o nome de ‘‘Vivanoel’’ (Velas). O tributo ao ‘‘poeta da vila’’ veio da parte de Ivan Lins. Ivan Lins? Sim, Ivan Lins, um compositor cuja obra, pelo menos até onde se sabe ou se percebe, nunca teve influências decisivas ou incisivas de Noel Rosa. No entanto, em nenhum momento o tributo deve ser encarado como oportunista, já que Ivan Lins é um grande nome da MPB e não precisaria, em momento nenhum, se sujeitar a apelações do gênero. Há sinceridade. E se isso não bastar, há comoção, originalidade e personalismo mesmo que não se tenha paciência para ouvir os dois CDs numa sentada só.
O grande trunfo de ‘‘Vivanoel’’ não é apenas o de tornar parte do cancioneiro de um mito atemporal. Isso já foi feito em outras ocasiões, inclusive num songbook organizado por Almir Chediak em 88. O trunfo mesmo é revestir as músicas de Noel - algumas praticamente desconhecidas ou esquecidas - de maneira sensível e autêntica. Como intérprete, Ivan Lins aparece sereno e certo do que está cantando. Não há a estridência vocal, um expediente que ele usa com certa frequência para atingir notas altas.
O requinte não reside apenas na interpretação. Para que pudesse cantar algumas das maravilhas de Noel Rosa, Ivan se cercou de brilhantes músicos tais como Cristóvão Bastos, Guinga, Jaques Morelenbaum, Leandro Braga, Gilson Peranzzetta, Lula Galvão, Hélio Delmiro, entre outros. Não bastasse isso, ele chamou alguns convidados especialíssimos.
São cantores - Nana Caymmi, Caetano Veloso, Chico Buarque, Fátima Guedes, Leila Pinheiro, Emílio Santiago, Zé Renato, Arlindo Cruz, Sombrinha, Zeca Pagodinho, Nelson Sargento, Nei Lopes, Cláudio Lins - e grupos - MPB-4, Aquarela Carioca, Boca livre, Época de Ouro, Nó em Pingo d’água, Coreto Urbano e Fundo de Quintal - com quem reparte o microfone. Faltaram alguns, é lógico. Mas o time escalado dá conta e bem do recado.

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