De fora para dentro
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de abril de 2015
Geraldo Bessa<br> TV Press 
O jeito meio "maluquinho", as roupas coloridas e o discurso afiado de Maria Casadevall evidenciam sua personalidade moderna e livre. No entanto, desde que foi escalada para viver a "bege" Margot, de "I Love Paraisópolis", novela que estreia no dia 11 de maio, a atriz tem colhido referências e experimentado ir na contramão de sua postura mais leve diante da vida. "A personagem não tem tanto a minha meninice. Ela é mais dura, centrada e introspectiva. Eu passo longe de todas essas características. A enxergo como um exercício em ser mais para 'dentro'", empolga-se. De "cara", dois detalhes já aproximaram a atriz do tom de sua nova personagem: a arquitetura e o figurino exageradamente sóbrio. "A profissão diz muito de quem a gente é. O fato dela ser arquiteta, automaticamente, me leva para um caminho marcado pela elegância. Os figurinos também me ajudam muito", conceitua a atriz, detalhando que, ao contrário de sua descontração com seus "looks", Margot caprichará em cortes retos e cores como cinza, azul marinho e grafite.
Para abrir mais as possibilidade, Maria foi atrás de algumas referências cinematográficas e de traços de pessoas de seu convívio, tudo para equilibrar a sisudez da personagem em cena. "Ela está envolvida em uma história de amor também e, para isso, é necessário alguma doçura. Encaro esse processo de referências para o papel como montar uma colcha de retalhos. Tudo pode ser válido ", revela. Na história de Alcides Nogueira e Mario Teixeira, Margot mantém um relacionamento com o também arquiteto Benjamin, vivido por Maurício Destri. O casal é sócio em um projeto de reurbanização de Paraisópolis, comunidade localizada na zona sul de São Paulo. A firmeza dessa relação começa a ruir com a chegada de Marizete, interpretada por Bruna Marquezine, à vida dos dois. "O que mais me tocou nessa trama, desde o começo, é que essa relação jamais se apresenta de forma falida. É uma relação que tem muito amor. Eles tem um projeto em comum que é como um filho", explica.
Entusiasmada com o novo trabalho, a atriz paulistana de 27 anos exibe a segurança de quem já passou por algumas "provas de fogo" na televisão. E mais uma vez ela volta à Globo sob a direção de Wolf Maya, mesmo diretor que a escalou para seu trabalho de estreia, o seriado "Lara com Z", e posteriormente, para seu desempenho de maior visibilidade na emissora, a descolada Patrícia, de "Amor à Vida". "Tevê é uma construção. Uma coisa puxa a outra. A Patrícia foi uma paixão e trouxe muita coisa boa para a minha vida. Fiz o melhor que pude e a recepção não poderia ter sido mais estimulante", conta. Entre as duas novelas, Maria acabou por descobrir um dos projetos de sua vida, a série "Lili, a Ex", produzida pelo canal GNT e que teve sua primeira temporada exibida ao longo de 2014. "A Lili foi um furacão na minha vida. Costumo dizer que quando li o roteiro pela primeira vez, amei tanto a a personagem que se ninguém gostasse da série, não tinha problema porque eu já a amava por todo mundo", exagera, entre risos.
A aposta rendeu frutos. Mesmo com a visibilidade limitada de um canal pago, Maria sentiu a repercussão da divertida personagem nas ruas e muitos elogios por seu desempenho. Antes de aparecer o convite para a novela, a ideia da atriz e da produção era manter uma temporada completa para 2015. Agora, a série vai precisar esperar o capítulo final de "I Love Paraisópolis". "Vou ter 15 dias de férias e já volto para o estúdio para gravar a segunda temporada de 'Lili, a Ex'", planeja. Entrar novamente na personagem não será nenhuma dificuldade. Basta Maria falar em Lili que alguns trejeitos e características surgem na expressão da atriz. "Engraçado que eu não era a primeira opção da direção. Mas quando me encontrei com o Luís (Pinheiro), diretor da série, a coisa começou a engrenar. Criamos juntos o jeito louco da personagem", relembra. Com a jovialidade que lhe é peculiar, Maria exibe com orgulho a relação que começa a construir com a televisão. Seja paga ou aberta, a atriz quer mesmo é trabalhar. "Tenho feito projetos com pessoas muito generosas. Isso dá um outro clima ao ambiente de gravações", elogia.


