De fã a autoridade no assunto
Quando era menino, Saulo Adami comprava as revistas de histórias em quadrinhos do "Planeta dos Macacos", que traziam também reportagens sobre a vida dos atores ou sobre como o filme tinha sido feito. "Eu queria saber como foi feita aquela cidade, que maquiagem era aquela, quem pensou em fazer aquilo", conta.
Aos 13 anos, Adami sabia que queria escrever um livro sobre como o filme tinha sido feito. E esse livro foi publicado, em 1996. O título também foi inspirado em uma frase de um dos gorilas vilões (o general Ursus, do primeiro filme), "O Único Humano Bom é Aquele Que Está Morto". Depois vieram mais três publicações, que também estão reunidas em "Homem Não Entende Nada": "Diários de Hollywood: Um Brasileiro no Planeta dos Macacos"? (2008), "?Perdidos no Planeta dos Macacos?" (2013, com Angelo Júnior) e "Hollywood: Bastidores e Segredos do Filme O Planeta dos Macacos"? (2015).
Quarenta anos de pesquisa fizeram de Saulo Adami autoridade quando o tema é "Planeta dos Macacos". Foram essas investigações que o ajudaram a descobrir que o produtor dos primeiros longas, Arthur P. Jacobs, comprou os direitos do livro de Pierre Boulle sem ao menos ter lido a obra. Jacobs ficou sabendo da história por sua noiva e futura esposa, Natalie Trund. A partir daí começou a luta para a realização do filme que deu o Oscar de Melhor Maquiagem para John Chambers.
Por economia, o roteiro mudou a ambientação da história, tirando-a das grandes e modernas cidades e levando para um cenário mais viável financeiramente, alguma coisa pré-histórica. "No início, eles pensaram em filmar em Brasília, que era uma cidade recém-criada. Economizaria ter que parar uma grande cidade, como Nova Iorque, por exemplo, para fazer um filme dentro dela", comenta o autor. Mas, com os tempos difíceis do final dos anos 60, os filmes acabaram sendo rodados em um terreno da 20th Century Fox na Califórnia, chamado Malibu Creek. "Foi um cenário fácil de construir. A cidade tinha três prédios e quatro casas. Mas dava a impressão de que era imensa", conta.
Saulo Adami conheceu a cidade cenográfica de Malibu Creek e viveu a experiência da maquiagem que transforma atores em gorilas. Foram três horas de trabalho, com direito a usar o figurino do Dr. Cornelius. Essas experiências foram possíveis graças às amizades e trocas de correspondência que o jornalista fez a partir de 1992, quando publicou um anúncio na revista norte-americana Starlog, dizendo que se interessava pelo tema Planeta dos Macacos e gostaria de trocar informações com outros fãs.
Essa rede relacionamentos o ajudou a conhecer Natalie Trundy, viúva de Jacobs, o maquiador John Chambers e a trocar correspondência durante anos com a atriz Kim Hunter (Zira), talvez o personagem mais amado de toda a franquia. O escritor também foi convidado a participar, quase como uma celebridade, da convenção Starcon 98, em Pasadena (EUA), que comemorava os 30 anos do primeiro longa.





