De ética e tendências
Presidente da Associação Brasileira de Decoradores, Carolina Szabó diz que os honorários profissionais devem se enquadrar na tabela

Milton DóriaPara Carolina Szabó, cada vez mais a decoração busca o simples, o natural, sem sobreposições: ‘‘O excesso cansa’’Nos últimos 50 anos, arquitetura e decoração sempre andaram juntas no Brasil. Primeiro foram os arquitetos que projetavam as moradias e acabavam orientando os clientes na compra de móveis e objetos. Depois, no início dos anos 60, começaram a surgir os decoradores, pessoas de extremo bom gosto que até hoje fazem desta qualidade uma forma de trabalho. Foi nessa época que a decoradora paulistana Carolina Szabó começou a trabalhar. Autodidata, ela está há 37 anos no mercado, colocando sua criatividade em projetos residenciais, comerciais e até em hospitais como o Beneficiência Portuguesa, de São Paulo. Presidente da Associação Brasileira de Arquitetos de Interiores e Decoradores (ABD) desde 1992, Carolina esteve em Londrina para falar sobre ética e decoração durante a 3ªMostra de Decoração & Interiores de Londrina.
Arquivo pessoalNeste living, Carolina Szabó mistura poltronas vitorianas com sofás
de linhas retas. Coleção de cerâmica saramenha na estante
E quando o assunto é ética, Carolina mostra realmente a que veio. ‘‘Do jeito que a decoração vem se expandindo, é indispensável que seja enquadrada no código que norteia esse mercado; caso contrário vai ser tumultuada demais’’, afirma. ‘‘Os profissionais têm que se adequar, seguir essas normas, principalmente no que diz respeito à tabela de honorários distribuída pela ABD. Segundo ela, em arquitetura de interiores existem várias categorias, um projeto é diferente do outro. ‘‘A tabela tem essa flexibilidade, dependendo do trabalho a ser desenvolvido, da metragem e do custo do escritório. O valor tem que ser bem especificado já na criação do projeto. E se o cliente soliticitar acompanhamento durante a execução, deverá ser cobrada uma taxa de administração que inclui todo o trabalho de fiscalização da obra, escolha de móveis, tecidos e objetos’’, diz Carolina. ‘‘É preferível cobrar um valor para o projeto e uma porcentagem sobre a administração. Assim, o cliente ficará mais à vontade e poderá optar’’. Esse porcentual varia de 10% a 20% de tudo o que for executado.
Quanto à comissão que o lojista paga ao arquiteto ou decorador, Carolina admite que existe e já está oficializada em cerca de 10%. ‘‘Mas tem que estar embutida no preço, ou seja, o comerciante não pode cobrar a mais do cliente que chegar na loja com o arquiteto ou descontar essa comissão daquele que compra sem a presença do arquiteto. O cliente deve saber da existência dessa comissão e jamais pensar que indo sozinho à loja pagará mais barato. A comissão é um extra que o lojista paga ao profissional e não pode ser acrescida ao preço dos materiais’’. O grande problema, de acordo com a decoradora, é que existem muitos profissionais que não cobram o projeto porque contam com a comissão das lojas. ‘‘Temos que acabar com essa história de um cobrar diferente do outro. A desigualdade não é boa para ninguém’’, argumenta.
Dona de um estilo eclético na arte de manipular espaços, Carolina revela que sempre procura interpretar o gosto do cliente. ‘‘É ele que vai viver no ambiente, não posso fazer imposições. Se o cliente está em dúvida, dou opções’’. Segundo ela, ‘‘não é justo montar uma casa, fazendo divisões de espaços inúteis para seu dia-a-dia, e colocando objetos que não contam a história dele. Esse acúmulo de coisas nas casas, que não dizem nada das pessoas que moram nelas, não existe mais’’. Para Carolina, cada vez mais a decoração busca o simples, o natural, sem sobreposições. ‘‘O excesso cansa. No entanto, alguns decoradores enchem os espaços de elementos, muitas vezes só para mostrar que estão por dentro de tudo. Acabam criando cenários sem funcionalidade, que incomodam a um simples olhar’’, diz ela.
(A.R.B.)

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