De catamarã, rumo aos cânions de Sergipe
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2002
Nathalia Molina 
A visão de cânions sempre impressiona. Imagine então poder navegar entre aqueles paredões cor de tijolo. Em Xingó, no extremo noroeste de Sergipe, isso é possível. O belo recorte da geografia recebeu um complemento do homem. Com a construção da barragem da Usina Hidrelétrica, em Canindé de São Francisco, formou-se um reservatório com 65 quilômetros de extensão. É daí que parte o catamarã para o Paraíso do Talhado, as rochas do cânion sergipano.
O passeio atravessa o reservatório chamado de lago da represa. Em alguns trechos, a profundidade atinge 170 metros, altura encoberta pelas águas do São Francisco depois da criação da hidrelétrica. Até uma fazenda, a São José, está sob o Velho Chico. O rio, que antes tinha no máximo 100 metros de largura, chega a 300 m.
O catamarã parte do Restaurante Karrancas, no Dique II. No trajeto, além de apreciar a natureza, faça uma hidromassagem. No meio do barco há uma rede quadrada. Conforme ele se move, a água do rio passa pelos buracos. Uma criatividade deliciosa.
Ao todo, são três horas de passeio, mas o auge ocorre na hora do meio, quando o barco percorre o Paraíso do Talhado. É ele que aparece em todas as fotos publicitárias de Xingó. Não é para menos. O contraste da cor ferrugem dos imensos muros naturais com o verde do São Francisco criam uma beleza singular. Se o dia estiver ensolarado, a fotografia é perfeita.
Durante meia hora, o barco estaciona no meio dos paredões. Depois de sentir o rio peneirado no catamarã, é a oportunidade de realmente se banhar. E apreciar bem de pertinho o cânion. Corra porque essa meia hora não passa na mesma velocidade de quando você trabalha na frente do computador à espera do fim do expediente.
Na volta, uma água ou refrigerante para repor as energias gastas. Atenção: no calor do sertão, é essencial tomar muito líquido e andar com protetor solar. Aí, é sentar e esperar chegar ao Karrancas para comer o prato escolhido na ida os peixes regionais são a dica, mas a comida é servida um pouco fria.
E curtir mais um pouquinho do belo cenário criado pelo homem. Entretanto, nem tudo são flores. Os pescadores reclamam que a reprodução de peixes e pitus ficou prejudicada após a criação da hidrelétrica. Animais, como o sagui e o macaco-prego, antes iam até a margem em busca de alimentos. Hoje não são vistos com tanta frequência. De qualquer forma, é inegável que a paisagem deslumbra quem não viu como era o Xingó antes da construção da barragem.


