Na contramão de tudo que comentam sobre a falta de galãs para as novelas, sobram atrizes com peso de protagonistas nas emissoras para serem escaladas em bons papéis. Mesmo assim, quando pensou no elenco de ''As Brasileiras'', Daniel Filho optou por buscar um charme a mais com cantoras como Sandy e Ivete Sangalo. E ele não é o único. São cada vez mais comuns os convites a nomes consagrados ou em possível ascensão na música para ingressarem em novelas.
E eles não se resumem às mulheres. Nem a participações em que precisem soltar a voz. ''Acho um movimento normal porque gera curiosidade no público. Atrai telespectadores novos, ainda mais quando se trata de alguém que tem uma legião de fãs'', opina Tizuka Yamasaki, diretora do episódio ''A Reacionária do Pantanal'', da série ''As Brasileiras'', que estreia em fevereiro, protagonizado pela cantora Sandy Leah.
De fato, ter um nome inusitado e conhecido do público no elenco de uma minissérie ou novela é um chamariz para a equipe. Além de atrair novos telespectadores, gera mais mídia em cima do lançamento. ''Chamo para trabalhar comigo pessoas que admiro. Mas quando são famosos, é um charme a mais para a audiência'', assume Tiago Santiago, que já teve em seus folhetins os cantores Toni Garrido, Preta Gil e Fafá de Belém.
A escalação também pode se dar a partir de características do personagem que, de repente, tenham mais a ver com aquela figura pública. ''O papel de menina ingênua, criada em uma sociedade alternativa e que cantava caiu muito bem na Sandy'', lembra Ana Maria Moretzsohn, que escreveu ''Estrela-Guia'', novela protagonizada pela cantora.
Aline Rosa também foi chamada para um teste na tevê por conta de uma característica pessoal, mas bem ampla. A Globo precisava de uma baiana para interpretar a amante do presidente da República na série ''O Brado Retumbante''. A vocalista da banda Cheiro de Amor fez o teste, passou e cortou um dobrado para conciliar as gravações com sua agenda musical. Mas conseguiu. ''Gostei bastante. Se pintar de novo, aceito. Mas só o que der para levar junto com meu trabalho de cantora'', afirma ela, que foi dirigida por Ricardo Waddington.
Foi o diretor quem abriu as portas da Globo para Emanuelle Araújo, que já foi vocalista da Banda Eva e hoje canta no trio Moinho. Ela já fez na emissora as novelas ''Pé na Jaca'', ''A Favorita'', ''Três Irmãs'', ''Cama de Gato'' e ''Cordel Encantado''.
Não há o menor problema em tentar conciliar as duas carreiras. Mas, em alguns casos, é preciso estabelecer graus de importância. ''Uma vez que se comprometeram com uma novela, a prioridade tem de ficar com a atuação'', atesta Miguel Falabella, que tem em ''Aquele Beijo'' a cantora Leilah Moreno e o ídolo ''teen'' Fiuk em papéis de destaque. Leilah, por exemplo, precisou deixar a banda do ''Altas Horas'' para ficar com a personagem. ''No programa, eu gravava uma, às vezes duas vezes por semana. Agora, é quase todo dia. Não daria para levar sem faltar algumas vezes e isso seria errado'', concorda Leilah.

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