Malu Mader costuma interpretar mulheres elegantes. Principalmente, em seus últimos trabalhos na tevê. Em "Ti-Ti-Ti", de 2010, sua última novela, ela deu vida a uma editora de revista de moda, a Suzana, e encarnou a pianista Eva Sullivan em "Eterna Magia", de 2007, a vilã da trama de Elizabeth Jhin. Além disso, protagonizou "Celebridade", em 2003, como a requintada Maria Clara Diniz, uma empresária bem-sucedida do show business. Mas, em "Sangue Bom", que estreia dia 29, Malu vai mostrar uma faceta bem diferente.
Na pele da garçonete Rosemere, a atriz terá de extravasar um lado mais destemperado, o que a tem divertido bastante durante as gravações. "É uma personagem deliciosa e engraçada. Mas não por fazer graça e sim pelo jeito irritado que tem. A Rosemere é muito apaixonante", derrama-se.
Mas Malu não exalta o fato de voltar a viver um papel de pegada populaela fez uma prostituta em "Labirinto", exibida pela Globo em 1998. O que conta para a atriz é gostar da personagem que interpreta. E foi justamente o que aconteceu assim que leu a sinopse de Rosemere. "Acho que quando você tem uma personagem legal, naturalmente você se sente confortável nela", avalia.

Ao longo de sua carreira, você acumulou papéis de mulheres elegantes. Que referências buscou para compor uma personagem de caráter popular como a Rosemere?
É curioso isso. Em alguns trabalhos, você busca referências. E há outros trabalhos que, instantaneamente, quando você lê, elas vêm. Há, sem dúvida nenhuma, coisas minhas nela que não são aparentes e que agora eu não saberia dizer exatamente o quê. E nem contaria para não me entregar (risos). Mas há muito da minha mãe, que era intensa na questão da maternidade. E tem uma amiga minha paulista que também é muito Rosemere sob um determinado ponto de vista. São coisas subjetivas. Toda hora que eu vou decorar o texto, me vem essa amiga minha.

Ultimamente, sua presença nas novelas tem sido bissexta. Foi uma escolha sua?
Foi acaso total. Eu fiz muita novela. Emendei desde 16 anos até quando os meninos nasceram. Quando o João nasceu, foi o primeiro ano em que não fiz nada. Fui morar em Nova York, foi a primeira vez também que o Tony (Beloto, dos Titãs, marido da atriz) deu um "break" para escrever livro. Isso foi em 1995. Logo depois eu voltei e comecei a fazer programas especiais. Veio "A Vida como Ela É", "A Justiceira", "A Comédia da Vida Privada". Engravidei do Antônio quando eu estava fazendo "A Justiceira". No ano dele, só fiz um episódio do "Mulher". Quando eu tinha filho, parava um ano.

Mas os intervalos maiores começaram a partir de "Força de Um Desejo", de 1999. Por quê?
Desde "Força de Um Desejo", eu comecei realmente a dar uns "breaks". Já tinha os dois filhos, tive problemas de saúde também (a atriz recebeu o diagnóstico de um cisto benigno na cabeça). Aí, dei uma diminuída, talvez por ter feito bastante uma vida inteira. E, de repente, eu tinha feito um processo inverso. As pessoas começam devagar e depois dão uma acelerada. Eu tive uma adolescência de bastante trabalho e, depois que tive meus filhos e alguns problemas de saúde, eu, talvez, tenha tido vontade de ter uma vida de meia-idade, dar uma desacelerada.

O canal Viva vai reprisar "Anos Dourados" e "Anos Rebeldes", dois sucessos em sua carreira. Como é para você se assistir em trabalhos passados?
Adoro. Tem gente que fala que não gosta, mas eu adoro. Tenho cinco sobrinhas e acho que a gente se parece muito. E, em cada cena, eu vejo um pouco de cada uma delas. Às vezes, uma delas me liga e fala: "Tia, você está vendo?". E eu sei que elas estão ligando porque estão se achando parecidas. A sensação não é nem que eu estou mais jovem, é de que é outra pessoa, parece que é outro ser. Porque é uma vida já tão distante, tantas coisas aconteceram naquele tempo, que parece que é outra pessoa ali. Juro. Quando você é atriz, realmente, é uma vida cheia de personagens, de histórias, que parece que foi em outro século aquilo.

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