''São 12 anos (do primeiro disco ao último, já sem Renato Russo) que vivemos juntos fazendo esses oito discos. Os momentos de estúdio foram únicos. Cada um tinha um momento especial'', recorda Dado. ''É um filme que passa na cabeça. Um grande flashback. Dos garotos que saíram de Brasília e foram para o Rio de Janeiro. Hoje, com 45 anos, tenho muito orgulho.''
O processo de redescoberta o fez recordar dos detalhes do passado. E ouvir novamente uma obra cultuada que ele ajudou a criar. Isso porque ele mesmo não tem o costume de ouvir seus próprios álbuns. ''Só escuto nas rádios, quando sou pego de surpresa. É bom voltar a ouvir a voz de Renato'', diz, saudoso.
A discografia dos rapazes de Brasília tem altos e baixos, mas consegue se manter acima da média até hoje. ''Dois'' (1986) e ''As Quatro Estações'' (1989), segundo e quarto discos, respectivamente, mostram um Renato Russo inspirado e uma banda vigorosa para acompanhá-lo. Já os dois últimos, ''A Tempestade'' (1996) e ''Uma Outra Estação'' (1997), trazem um vocalista já desiludido e arrasado pela doença - ele morreu em 11 de outubro de 1996, em consequência de complicações causadas pela aids.
Ouvir Legião, hoje, é uma forma de revisitar momentos importantes da história brasileira. Da Ditadura ao governo Collor. Do punk rock contestador a uma MPB ácida. Tudo com o lirismo único de Renato Russo.

mockup