DE BEM COM O PÚBLICO DivulgaçãoNey Matogrosso registrou em Cd o show ‘‘Olhos de Farol’’, com o qual voltou a interpretar canções popReproduçãoDISCOS Antônio Mariano Júnior De Londrina Ney Matogrosso está lançando ‘‘Vivo’’, disco de regravações destinado unicamente a fãs de carteirinha Mais um!! No caso de Ney Matogrosso, o terceiro disco ao vivo. Que tem como base o repertório do festejado ‘‘Olhos de Farol’’, de 99, com o qual o dito cujo devolveu voz e requebros às suas origens, o pop-rock. Chama-se ‘‘Vivo’’ (hum!!) e foi gravado em novembro do ano passado, num canto qualquer do Rio – o local foi ignorado tanto no encarte como no material de divulgação. Tá, isso é o de menos. No mais, ‘‘Vivo’’ é apenas o registro fonográfico de um belo show de Ney Matogrosso e ponto final. Vinte canções dissolvidas em exatos 73 minutos e 18 segundos. Nenhuma inédita. Platéia rendida em encantos e palmas e gritinhos e declarações de amor – como o gutural ‘‘Eu te amo’’ disparado por um rapaz nos acordes iniciais de ‘‘Balada do Louco’’. Do disco que originou o show, apenas cinco canções. Entre elas, a comovente e poética ‘‘Novamente’’ (Fred Martins-Alexandre Lemos) e a insossa ‘‘Vira-lata de Raça’’ (de Rita Lee mais o filho Beto Lee). O restante são incursões – grande parte inócuas – que Ney faz em repertório alheio e/ou canções outrora registradas por ele. Agradáveis surpresas: ‘‘A Balada do Cachorro Louco’’ (Lenine/Lula Queiroga/Chico Neves) e ‘‘O Último Dia’’ (Paulinho Moska). Reintepretações déjà vu: ‘‘Exagerado’’ (Cazuza) e ‘‘Pro Dia Nascer Feliz’’ (Frejat-Cazuza). Nem a voz de Ney, agora incorpada mas afinada e gostosa, consegue impor respeito a alguns arranjos quadradinhos assinados por Ricardo Silveira. Ah, não poderiam faltar. Claro!! Os hits dos tempos de Secos & Molhados estão diluídos pelo disco. É preciso revirar a memória afetiva para ouvir, por exemplo, ‘‘Rosa de Hiroshima’’ (Vinicius de Moraes-Gerson Conrad) ou ‘‘Sangue Latino’’ (João Ricardo-Paulinho Mendonça) e se emocionar. Por mais que Ney Matogrosso tente enfiar ouvido adentro algumas canções do disco anterior, feitas por compositores à margem do mercado fonográfico, ‘‘Vivo’’ tem um clima saudosista endossado pelo público que compareceu aos dias de gravação do disco. Toda a platéia canta juntinha – e provavelmente de mãos dadas e olhinhos fechados – canções saturadérrimas como ‘‘Balada do Louco’’ (Rita Lee-Arnaldo Baptista) e ‘‘Metamorfose Ambulante’’ (Raul Seixas). Passado por passado, melhor admirar a recauchatada ‘‘Vira’’ (Luli-Lucina) ou ‘‘Mesmo que Seja Eu’’ (Roberto-Erasmo Carlos), embora a interpretação de Marina ainda continue insuperável. Assim: ‘‘Vivo’’ é feito para consumo imediato. Fast food mesmo. Disco para fãs!! Pode ter sido concebido com toda a sinceridade de Ney matogrosso, um artista espetácular, imbatível em cena. No entanto, um disco com canções inéditas – ao vivo que fosse – cairia melhor principalmente agora que Ney, depois de dez anos de passeio em músicas mais parrudas, volta ao pop e o rock. É uma judiação frear um caminho tão bacana aberto por ele, no ano passado, quando trouxe à luz da mídia bons compositores esnobados pelas gravadoras. Ney é competente demais para ficar tirando rugas de canções amarfanhadas pelo tempo. Repertório de ‘‘Vivo’’ •‘‘Mulher Barriguda (João Ricardo-Solano Trindade) •Com a Boca no Mundo’’ (Lee Marcucci-Luiz Sérgio-Rita Lee) •‘‘Vira-Lata de Raça’’ (Rita Lee-Beto lee) •‘‘Miséria no Japão’’ (Pedro Luís) •‘‘Novamente’’ (Fre Martins-Alexandre Lemos) •‘‘Poema’’ (Cazuza-Frejat) •‘‘Mesmo que Seja Eu’’ (Erasmo Carlos-Roberto Carlos) •‘‘Faço de Tudo’’(Renata Arruda-Sandra de Sá - Paulinho Galvão) •‘‘A Balada da Cachorro Louco (Fere Rente) (Lenine-Lula Queiroga-Chico Neves) •‘‘O Vira’’ (Luli-João Ricardo) •‘‘Exagerado’’ (Cazuza-Ezequiel Neves-Leoni) •‘‘Bomba H (‘‘Alzira Espíndola-Itamar Assumpção) •‘‘O Último Dia’’(Paulinho Miska-Billy Brandão) •‘‘A Cara do Brasil’’ (Celso Viáfora-Vicente Barreto) •‘‘Sangue Latino’’ (João Ricardo-Paulinho Mendonça) •‘‘Rosa de Hiroshima’’(Vinicius de Moraes-Gerson Conrad) •‘‘Balada do Louco’’ (Rita Lee-Arnaldo Baptista) •‘‘Homem com H’’ (Antonio Barros) •‘‘Pro Dia Nascer Feliz’’ (Frejat-Cazuza) •‘‘Metamorfose Ambulante’’ (Raul Seixas) DE BEM COM O PÚBLICO

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