De bem com a TV
Agência Estado
A principal prova de amor que os três diretores de teatro (Moacir Góes, Ulysses Cruz e Marcos Alvisi) deram à televisão foi a sua adesão às novelas, considerado o gênero mais industrial e menos autoral do veículo. Com a estréia de Vila Madalena, no horário das 19 horas, Marcus Alvisi também inicia sua carreira no gênero, depois de estagiar em um programa humorístico. Moacir Góes trabalhou em Suave Veneno e está escalado para dirigir a novela que virá depois de Terra Nostra, às 20 horas. Já Ulysses Cruz foi desviado para a dramaturgia infantil - ele é um dos criadores de Flora Encantada, protagonizada por Angélica.
Coube à Globo a iniciativa do namoro. Os três foram convidados pelo atual diretor de núcleo, Ricardo Waddington, a participar de uma oficina de direção coordenada por Paulo José. Quase dois anos depois, os três celebram o casamento. A TV está aprovadíssima por mim, diz Alvisi. Espero que a televisão também me aprove. O volume de trabalho e a forma apressada como as coisas geralmente são feitas na televisão não assustou os diretores. Eu era considerado um diretor rápido lá dentro, revela Góes.
Para Alvisi, esse processo tinha algo de familiar. Sou rápido no teatro, conta. Levo no máximo um mês para montar uma peça. Seu trabalho mais recente, o premiado Diário de um Louco, feito por Diogo Vilella, ficou pronto em 28 dias. O teste que Alvisi considerou definitivo na sua relação com a televisão ocorreu na semana passada, quando gravou, pela primeira vez, em estúdio. Até então, o diretor estava acostumado a trabalhar em externas.
No estúdio, são quatro câmeras, o que nos obriga a um olhar mais fragmentado, explicou.
Para começar, o aprendiz apenas observou o veterano diretor de TV Jorge Fernando, trabalhar durante a realização da novela Era uma Vez. Jorge Fernando foi convocado para reformular o humorístico Vida ao Vivo Show e Alvisi também foi junto. Eu só olhava as coisas, lembra. Um dia, Jorginho me avisou que eu iria fazer 18 cenas e que, a partir daquele dia, as gravações ficariam por minha conta, diz. Eu fiquei apavorado como se estivesse sendo estuprado, sem chances de berrar.
Passado o susto inicial, Alvisi começou uma nova etapa: aprender a olhar uma cena pelo ângulo da câmera. Ele lembra que, no início, não ousava pensar em uma situação em 360 graus, como uma câmera permite. Agora, ele acredita que tinha mais liberdade no humorístico do que na novela. A novela já tem uma maneira própria de fazer, mas isso ainda é um aprendizado para mim.
A ambição de Alvisi é um dia chegar a criar para a televisão. Agora, ele tem certeza de estar na sua fase de executar os projetos dos outros. Sei dos meus limites, admite. Mas acho que vou chegar na criação um dia, contina. Se eu vier a achar que não será possível criar, eu saio da televisão.





