De bem com a carreira


No script constavam as seguinte falas:
- O senhor Chong agradece deuses e castanha de caju ser recebido por tão ilustre dama.
-Diga ao senhor Chong que ele é muito gentil. E que um dia espero retribuir a gentileza da visita.
O diálogo foi travado entre uma tradutora japonesa e uma poderosa e maquiavélica senhora que se considera a dona de São Tomás de Trás, a fictícia cidade da novela ‘‘Meu Bem Querer’’, da Rede Globo. Mas acontece que a atriz Kristie Miyamoto, a tradutora, resolveu trocar o nome do senhor Chong por senhor Massahiro. Uma homenagem a seu avó, Massahiro Miyamoto, pioneiro de Apucarana e um dos incentivadores de sua carreira artística. O diretor da cena até chamou a atenção da atriz que explicou o motivo da troca, e foi aprovada a alteração. É que o nome Chong está mais para o chinês do que propriamente para o nome do chefe de um grupo de japoneses para o qual Custódia, vilã encarnada por Marília Pera, pretende vender a cidade de São Tomas de Trás. ‘‘Eu falei o nome Massahiro e a Marília pegou na hora’’.
A cena deve ir ao ar na próxima semana. Trata-se, pelo menos por enquanto, de uma participação especial de Kristie Miyamoto. Que torce para que a cidade fictícia seja vendida para que, assim, passe a fazer parte do elenco fixo de ‘‘Meu Bem Querer’’. Tudo, entretanto, vai depender de Ricardo Linhares, autor do folhetim.
Mas a atriz sabe que para sempre será lembrada como Mishiko, a namorada japonesa do delegado Motinha, interpretado por José de Abreu, em ‘‘A Indomada’’, de 97. ‘‘Uma parte de mim é a Mishiko’’- afirma Kristie, referindo-se obviamente às suas origens e aos hábitos e culturas adquiridos no tempo em foi dekassegui e tentou a sorte no Japão. Foi lá, do outro lado do mundo, que Kristie pode também exercitar um pouco o seu lado de atriz, apresentadora de programa e até mesmo escritora - um texto seu, ‘‘O Gaijin e a Lata de Suco Mágico’’, chegou a ser montado num programa de televisão.
DivulgaçãoKristie Miyamoto com Rosi Campos e Marília Pêra: carreira de atriz toma impulso com atuações em novelasAtualmente, Kristie Miyamoto, nascida em Apucarana e radicada no Rio de Janeiro, está cadastrada na Rede Globo. Ou seja, pode, a qualquer momento, ser chamada para atuar, como aconteceu em outras produções da casa como nas novelas ‘‘Anjo Mau’’, ‘‘Zazá’’ e em um dos episódios de ‘‘A Justiceira’’, extinto seriado que foi seu primeiro trabalho na Globo.
Claro que ser contratada e não apenas cadastrada na emissora lhe renderia muito mais dividendos, inclusive artísticos. Mas a atriz se dá por satisfeita porque a condição de free lancer fixo lhe permite mobilidade. ‘‘Ser contratada significa quase ter que dar exclusividade à emissora e eu quero trabalhar em outras áreas. Minha intenção é fazer filmes e ampliar minha vitrine através do cinema’’- afirma.
E por falar em cinema, no próximo mês chega às telonas de todo o país a mais nova empreitada de Kristie Miyamoto - ‘‘Uma Aventura com Zico’’, filme dirigido por Carlos Antonio da Fontoura, com produção de Luiz Carlos Barreto. No elenco, Beth Erthal, Eri Johnson, César Filho e Thierry Figueira. Ela vai interpretar Mariko, jovem mãe de um dos alunos da escolinha de futebol mantida pelo jogador Zico.
Ainda na seção ‘‘escurinho do cinema’’, a atriz está filmando ‘‘O Império’’, com roteiro e direção de Joel Barcelos, rodado em Pequim, Itália e Brasília. Ela vai contracenar, entre outros, com Vanja Orico e o galã do momento, Eduardo Moscovis. A médio prazo, a atriz pretende mostrar seu lado de diretora. ‘‘Por enquanto eu quero primeiro entender e entrar mais no lado do ator antes de passar para a direção’’- afirma.
Apesar de ter um bom currículo - ela fez diversos cursos de especialização -, e ter uma certa projeção nacional Kristie Miyamoto reconhece que ainda há uma certa resistência no mercado de trabalho em relação a atores orientais. Normalmente para se encaixar um ator japonês no elenco de uma novela, por exemplo, os autores acabam criando um núcleo específico.
‘‘Agora eu pregunto: é fictício, por exemplo, eu interpretar uma médica ou uma engenheira? Não, não é. Os diretores têm que abrir os olhos porque a realidade é outra’’- diz ela. ‘‘Eu estou lutando por um espaço no qual eu investi através de cursos e oficinas. Optei por ser atriz. A luta começou e não pode parar’’- complementa.Arquivo FolhaKristie Miyamoto: cadastrada na Globo, ele tem conseguido papéis em novelas e também faz cinemaAntônio Mariano Júnior


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