DivulgaçãoAngela Maria: ‘‘No estúdio não deu para sentir, mas quando eu ouvi depois, fiquei emocionada, foi um trabalho perfeito’’A garota tímida entra no palco do programa de calouros comandado por Renato Murci, na Rádio Nacional. Anuncia que vai cantar ‘‘Olhos Verdes’’, de Vicente Paiva, sucesso na voz de Dalva de Oliveira, a maior cantora da época. O apresentador mal pode acreditar que a menina tímida poderia soltar aquele vozeirão e imitar com perfeição a voz de tecitura extremamente alta de Dalva de Oliveira. Nascia ali a carreira de uma das maiores cantoras que o Brasil já ouviu: Abelim, que a partir daquele momento se tornaria conhecida como Angela Maria.
Agora, depois de 46 anos e 110 discos gravados, Angela Maria volta a se encontrar com Dalva de Oliveira, prestando um tributo de fã ao ídolo com o disco ‘‘Angela Maria - Pela Saudade que me Invade’’, lançado pela Sony. São 15 músicas selecionadas pela própria cantora, que sempre fizeram parte de seu repertório, e que agora fora reunidas em um só CD. Há também as participações especiais de Fagner, Agnaldo Rayol, Simone, Martinho da Vila e Pery Ribeiro, além de um dueto póstumo com a própria Dalva.
A idéia do projeto foi de Daniel D’Angelo, com apoio do produtor José Milton e da própria Angela Maria, que se encarregou de escolher as músicas. ‘‘Foi fácil porque eu tinha todo o repertório, já havia gravado algumas canções e cantava todas. Entreguei o repertório prontinho’’, contou Angela à Folha2, por telefone.
Todo o processo foi prazeroso para a cantora. ‘‘Eu gosto de gravar à noite e entrava no estúdio às 22h, gravava até à 1h30 e ia embora satisfeita. Era quase como se estivesse fazendo um show’’, revela. ‘‘Para mim nem deu trabalho pois já sabia tudo’’, conclui.
Participações Entre os convidados especiais, que gravaram com ela, Fagner e Simone já haviam participado do disco anterior, ‘‘Angela Maria e Amigos’’, o primeiro gravado pela Sony e que representou um marco na carreira da cantora ao vender 600 mil cópias. Neste novo encontro, Fagner participou da música ‘‘Que Serᒒ (Mario Rossi e Marino Pinto), e Simone de ‘‘Tudo Acabado’’ (J. Piedade e Oswaldo Martins).
Agnaldo Rayol cantou ‘‘Ave Maria no Morro’’ (Herivelto Martins); Martinho da Vila disse presente em ‘‘Palhaço’’ (David Nasser e Herivelto Martins); Pery Ribeiro ajudou em ‘‘Ave Maria’’ (Jayme Redondo e Vicente Paiva); e Dalva de Oliveira, em ‘‘Bandeira Branca’’ (Max Nunes e Laércio Alves).
Apesar de ter iniciado a carreira imitando Dalva de Oliveira - ‘‘imitava até a respiração e ganhava todos os concursos de calouro’’ - e, depois, cantar todo o repertório dela, além de ser uma fã incondicional, Angela nunca antes havia participado de um disco, de um show ou mesmo de uma apresentação em rádio ou TV junto com Dalva. ‘‘Sempre nos encontrávamos nos bastidores da Rádio Nacional e da Tupy, falávamos bastante, mas nunca cantamos juntas’’.
O encontro só foi possível agora, graças à tecnologia digital. A participação de Dalva de Oliveira veio de um depoimento que ela gravou para o Museu da Imagem e do Som, no final, atendendo a um pedido de um repórter, cantou, à capela, a música ‘‘Bandeira Branca’’.
‘‘No estúdio não deu para sentir, mas quando eu ouvi depois, fiquei emocionada, foi um trabalho perfeito’’, revela Angela Maria. As duas têm vozes bastante agudas - ‘‘quando não canto as músicas da Dalva tenho que baixar dois tons’’, revela a fã - com timbres que casaram perfeitamente. Fazem um belo par, pena que não tenham descoberto isso quando Dalva ainda era viva. No ano que vem, Angela promete levar este repertório em shows por todo o País.

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