O destaque que cada personagem ganha em uma produção televisiva é uma mistura de fatores. Além do texto da trama e carisma do papel, é preciso estar inserido no contexto certo para que, mesmo com um personagem pequeno, o ator se sobressaia na tevê. Cacau Protásio conseguiu combinar todos esses ingredientes para interpretar a intrometida Zezé, de "Avenida Brasil". Hoje, no ar como Lindinha em "Joia Rara", a atriz colhe os frutos e tenta entender o turbilhão que sua carreira se tornou depois da novela de João Emanuel Carneiro. "Recebi o convite para 'Joia Rara' no auge do sucesso da Zezé. Era difícil assimilar o que estava acontecendo. Achava que ia ficar naquela coisa de só abrir e fechar porta", conta, aos risos. Seu jeito humilde e tímido, no entanto, impede que ela colha os louros sozinha. "Estava em um núcleo de atores que me permitiram chegar onde cheguei. Eu era novata na tevê e contei com a sabedoria e generosidade de veteranos que sabem que ninguém está ali para roubar o lugar do outro", valoriza, citando as companheiras Adriana Esteves, Eliane Giardini e Claudia Missura.
Na reta final de "Joia Rara" – a novela tem previsão de exibição do último capítulo para o dia 5 de abril –, Cacau conta que o improviso proposto pela diretora Amora Mautner foi essencial para a construção da personagem. "Temos apoio de uma historiadora que nos contextualiza sobre a época. Mas o tom certo veio com total ajuda da Amora", revela, explicando que o texto de Thelma Guedes e Duca Rachid é cheio de "cacos" criados pelo elenco da trama. "Botamos a nossa visão nos personagens. Por exemplo, eu achei que Lindinha não saberia falar certo nomes difíceis como Ernest, Manfred, Franz... Por isso, saí falando tudo errado e elas toparam", conta, enumerando os personagens de José de Abreu, Carmo Dalla Vecchia e Bruno Gagliasso.

Nome: Anna Cláudia Protásio Monteiro.
Nascimento: Em 3 de junho de 1975, em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro.
Primeiro trabalho na tevê: "Fiz várias participações no 'Linha Direta'. Sempre diziam que quem aparecesse lá não faria mais nada na tevê. Estou aqui para provar o contrário" (risos).
Sua atuação inesquecível: Como a Zezé de "Avenida Brasil", exibida em 2012. "Não poderia ser diferente".
Interpretação memorável: Viúva Porcina, de Regina Duarte em "Roque Santeiro", exibida pela Globo em 1985, e Camila, vivida por Carolina Dieckmann em "Laços de Família", de 2000
Momento marcante: "Durante 'Avenida Brasil', que vi minha personagem crescendo, fazendo sucesso... Senti que a vida estava mudando para mim"
A que gosta de assistir: "Tudo. Do bom e do ruim. Acho que o ator precisa ver tevê porque aprendemos com tudo"
O que sobra na televisão: "Futebol" (risos)
Se não fosse atriz, o que seria: Bailarina

Ator: Raul Cortez. "Para sempre"
Atriz: Adriana Esteves
Música: "I Say A Little Prayer", de Diana King

Cantor: Caetano Veloso

Cantora: Ivete Sangalo
Autor: Ariano Suassuna
Diretor: Amora Mautner

Humorista: Chico Anysio

Novela preferida: "Avenida Brasil"
Papel com mais retorno do público: Zezé, de "Avenida Brasil"
Melhor bordão da televisão: "Quero ver tu me chamar de amendoim", música cantada por Zezé, em "Avenida Brasil"
Abertura de novela preferida: "Barriga de Aluguel", de 1990. "Tenho crise de riso quando vejo aquela barriga, com as pernas se abrindo e uma luz no final"
Que papel gostaria de representar: "Não sei qual papel. Mas gostaria de ter participado de 'Cordel Encantado'. Foi uma novela maravilhosa, achava tudo lindo"
Filme: "Uma Linda Mulher", protagonizado por Julia Roberts, em 1990
Livro de cabeceira: "O Segredo", de Rhonda Byrne
Vexame: "Estava estudando na CAL e fomos encenar uma peça. Durante uma cena, minha roupa descosturou e meu peito ficou de fora. Queria morrer!" (risos)
Um medo: "De qualquer bicho. Tenho muito medo, pânico, pavor!"
Projeto: "Ser mãe"

"Joia Rara" – Globo – De segunda a sábado, às 18h20

mockup