São Paulo - Se Silvio Santos não mudar de idéia de novo o que não é raro , o Datanexus, instituto preparado para medir audiência de TV, como o Ibope, pode enfim sair do papel esta semana. Ou melhor, chegar ao papel: o lançamento da empresa no mercado depende da assinatura de Silvio Santos, que investiu R$ 4 milhões na implantação do novo sistema e só agora, ainda verbalmente, teria concordado em abrir mão da propriedade do nome e de qualquer outro vínculo seu com o Datanexus.
Foi a intransigência de Silvio nesses itens que impediu um primeiro acordo entre o Sistema Brasileiro de Televisão e o cientista político Carlos Novaes, responsável por toda a pesquisa que levou à distribuição dos aparelhos da mostra na Grande São Paulo.
Foi também por essa intransigência que Silvio perdeu seu principal homem de engenharia, Alfonso Aurin, supervisor do SBT e criador do adviser (ou alfonsímetro), o tal aparelhinho capaz de coletar os dados de audiência nos 250 domicílios da mostra composta pelo Datanexus.
Agora fora do SBT, Aurin está confiante num acordo entre Novaes e Silvio, mas não pretende voltar para o SBT. Como criador do principal instrumento do novo instituto, Aurin é detentor dos direitos de uso da tecnologia de medição de audiência do Datanexus e dará apoio tecnológico ao concorrente do Ibope.
Nova rede - Mas as principais tarefas de Aurin desde sua saída do SBT não se concentram no Datanexus. ''Meu principal desafio, agora, é montar a rede de TV de Gugu Liberato'', conta o engenheiro. Antes mesmo de conseguir uma palavra final da Justiça sobre a geradora de TV que ele conseguiu em Cuiabá, Gugu vai preparando uma rede que já conta, segundo Aurin, com 20 retransmissoras, incluindo o canal 51 UHF, de Arujá, que será testado para tentar uma transferência para São Paulo - depende de não causar interferência em outras estações.
A agenda de Aurin, no momento, inclui ainda a possibilidade de uma participação acionária na Linksat, uma empresa de satélite, e expansão de negócios nas relações com a Promofilmes, produtora responsável, entre outras coisas, pela realização do Surviver, o embrião do nosso No Limite, e pelo Conquistador do Fim do Mundo, feito em parceria com o SBT. ''Talvez eu passe a trabalhar com eles para oferecer aos canais brasileiros outros reality shows'', diz Aurin, que no SBT pilotou toda a estrutura que permitiu a produção da Casa dos Artistas.

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