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segunda-feira, 29 de maio de 2006
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Duas gerações de artistas inauguram hoje mostras que seguem até 1º de julho em homenagem aos 98 anos da Imigração Japonesa em Londrina. De um lado, as obras do artista imigrante sob a ótica de seus 70 anos; do outro, a contemporaneidade dos pincéis a quem o oriente atrai em todas as vertentes.
No Espaço Cultural Ceddo, Kiyoshi Shishido assina 14 telas, sendo três aquarelas e onze a óleo, em ''Japão Quatro Estações''. Cada cor é a correspondência fiel de suas reminiscências captadas na Terra do Sol Nascente, especialmente em sua cidade natal, Fukushima. A harmonia da composição cromática em seu trabalho é o resultado de décadas de íntima ligação com as artes visuais. ''Trouxe do meu país diversos croquis, então decidi fazer pinturas com eles. Assim surgiram as paisagens da primavera, verão, outono e inverno'', completou
Formado em Mecânica e Belas Artes no Japão, Kiyoshi veio para o Brasil em 1958. Nove anos depois o artista se instalou em Londrina, onde atuou em atividades diversas além da pintura, como designer gráfico, desenhista topográfico e layout man. Somente em 2000 abriu um ateliê para dedicar-se exclusivamente a sua expressão maior. ''Essa é a minha exposição aqui no Brasil. Atualmente tenho cerca de 70 telas. Pintar é meu passatempo fovorito e pretendo fazer isso até o fim da minha vida'', disse.
Magnetismo Aos 28 anos, brasileiro com alma oriental, Fábio Bueno apresenta ''Magnetismo'' no Tomate Seco Café Teatro. São dez trabalhos em acrílico sobre tela que exaltam diversas lendas dessa cultura. ''Há muito tempo o lado oriental me atraiu. Comecei colecionando objetos, mas desde cedo tive muito contato com imigrantes e descendentes de japoneses. Alguns até comentavam comigo que eu eu sabia mais sobre a cultura deles do que eles próprios'', revelou.
Carpa, dragão, Fênix, grou, entre outros seres, são inspirações das obras que integram a terceira mostra individual do autodidata. ''Pinto há mais de dez anos. Embora tivesse contato com muitos artistas, sempre fiquei nos bastidores, preparando a montagem de suas telas. Sou desprendido de meu trabalho, exemplo disso é que em casa eu só tenho obras de amigos meus'', disse.
Uma das características ressaltadas em seu trabalho é a profundidade alcançada no segundo plano das obras. ''Eu pinto os fundos primeiramente, que vão ganhando impressões de labaredas de fogo, água ou madeira, para depois trabalhar com a imagem em si. Consigo trabalhar com diluições, mas para mim a imagem ainda é importante'', ponderou Bueno, destacando que também faz esculturas. A exposição apresenta telas em tamanhos compreendidos entre 30 X 30 e 40 X 50 centímetros.
Serviço
- Exposições: ''Japão Quatro Estações'', de Kiyoshi Shishido, no Espaço Cultural Ceddo (Rua Pernambuco, 725). De segunda a sexta-feira, das 7h30 às 19 horas e, aos sábados, das 7h30 às 13 horas. Outras informações pelo telefone (43) 3321-4114. ''Magnetismo'', de Fábio Bueno, no Tomate Seco Café Teatro (Avenida Maringá, 1730). De segunda a sábado, das 18 às 24 horas. Mais informações pelo telefone (43) 3025-7070.


