Curitiba– Quando apagar sua quinta velinha de vida, a Barulho Records vai ganhar como presente o título de ‘‘label independente’’ mais atuante no Paraná e uma das cinco ‘‘mais mais’’ do Brasil. Em cinco anos de estrada a gravadora acumulou 33 lançamentos e o recorde de 40 mil CDs vendidos no complicado circuito alternativo brasileiro.
A história começou com Júlio Barcelos, em 97, até então distribuidor de trabalhos independentes. Certo dia apareceu integrantes da banda Confusion propondo o lançamento de um CD. Barcelos topou. Ele nem imaginava os efeitos dessa decisão. O trabalho foi editado, graças a uma ‘‘vaquinha’’ com os amigos Rodrigo Acras e Fabian Oliveira, do Confusion. Nascia aí a Barulho.
A primeira experiência foi traumática. O staff não tinha idéia das dificuldades para finalizar e comercializar o trabalho. ‘‘Não sabíamos como fazia, qual era o preço, não tinhamos idéia nem para quem mandar. Tivemos problemas para fazer a capa, para divulgar e para colocar o CD em outras praças. Levamos um ano aprendendo as armadilhas do mercado’’, explica Barcelos.
Após descobrir as manhas a label abriu uma loja para comercializar seus CDs no Shopping Omar. E também de outras independentes. Ontem, a Barulho CDs completou dois anos com um cardápio punk rock e hardcore, público-alvo da gravadora.
O campeão de vendagens do selo curitibano, por incrível que pareça, não é uma banda paranaense, mas uma carioca: The Rivets, que está na sua quarta tiragem de mil cópias. ‘‘O grupo me mandou uma demo e gostei do material. Pedi para o grupo regravar o som. Passou um ano e o vocalista se mandou para os Estados Unidos e o Rivets não tocava. Apostei neles, divulgando, e o CD começou a vender muito’’, confessa.
Com o mágico número 33, a Barulho Records está mudando sua política de trabalho. ‘‘Por ter uma estrutura pequena a gente não consegue dar toda atenção as bandas. Queremos agora trabalhar mais o nome delas. Vamos investir no reforço da imagem e oferecer uma infra-estrutura para o cast.’’ As chegadas de Maurício Singer, em 99, e do Cassiano Linhares, contribuíram para uma reavaliação do esquema da gravadora.
No Brasil dá para se contar nos dedos os selos independentes que trabalham a sério com os grupos. Os destaques são a ‘‘Thirteen Records’’; Terceiro Mundo, que lançou a paranaense Sugar Kane e tem no catálogo a banda Dead Fish; High Light Songs, lança bandas gringas e Spicy Records, todas de São Paulo. A quarta é a Barulho.
O mercado da label não é restrita ao estado do Paraná. Ela vendedo Rio Grande do Sul a Manaus. O nordeste é a única região do Brasil que resiste a invasão da gravadora. Barcelos esclarece. ‘‘Temos no norte do País uma penetração forte. Atingimos com sucesso cidades distantes como Belém e do interior de Minas Gerais. Graças a internet e o correio’’.
A Barulho está se profissionalizando. O direcionamento agora é pegar uma banda, levar ao estúdio e pagar, lançar o CD e distribuir. Antes não era assim e a gente sofria muito. O esquema de distribuição da Barulho era falho, hoje é mais forte e profissional. O modelo escolhido é o da tercerização dos serviços.’’
Serviço
Contatos com a Barulho Records: Caixa Postal 18832, CEP 80410990, Curitiba Paraná. Endereço na internet: www.barulhorecords.com.br

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