É de se estranhar que um país que cultua o carnaval, o futebol e as mulheres curvilíneas tenha entre seus ícones um coveiro soturno, que passa a vida em busca de um filho perfeito. Mas estamos no Brasil e o criador do personagem, que faz 40 anos, é ninguém menos do que José Mojica Marins, um dos maiores cineastas do País e dono de uma filmografia de 155 títulos.
Zé do Caixão nasceu de um pesadelo de Mojica. No sonho, um homem de capa preta e cartola arrastava o cineasta para o túmulo onde figurava sua data de morte. Mojica acordou em pânico e perdeu o sono, mas anotou tudo.
O personagem fez sua estréia no cinema em 1964, em ''À Meia-Noite Levarei Sua Alma''. A história trata de um agente funerário que aterroriza um vilarejo, eliminando todos os que se opõem a sua busca pela mulher ideal que lhe dará o filho perfeito. O impacto foi imediato e Zé do Caixão entrou definitivamente para o folclore nacional. ''Tem gente que vê até hoje o Zé baixar nos terreiros de candomblé. Outros acreditam que ele voa de vassoura'', orgulha-se Mojica.
O coveiro quarentão não assusta como no passado, porém, o mito permanece graças à dedicação de Mojica - por não encontrar atores que se dispusessem a viver o personagem, decidiu fazê-lo. Hoje, prestes a completar 68 anos, ele faz questão de separar criador e criatura e anuncia seus novos planos: o livro ''Crepúsculo das Almas'' e o longa-metragem ''Encarnação do Demônio'', com produção de Paulo Sacramento.
Ele já foi homenageado por coveiros, cineastas, empresários e políticos. Recentemente, seu personagem mais célebre desfilou nas passarelas do São Paulo Fashion Week, através das tesouras de Alexandre Herchcovitch. A próxima homenagem também é um desfile, mas em outra passarela: a do samba. José Mojica Marins é o tema do enredo De São Paulo para o Mundo!!!, da escola Em Cima da Hora Paulistana. O desfile será no dia 23, na Avenida Politécnica.

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