DATA - 20 anos de música no ar
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quarta-feira, 22 de setembro de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Quando menino, o catarinense Aristides A. J. Makowich adorava ouvir a ''Dança Húngara'', de Brahmms. Era um hábito diário, desfrutado na vitrola do pai antes de ir à escola. De lá para cá, o gosto musical não mudou, refinando-se a partir de incansáveis audições de seu mais de 5 mil discos, entre LPs e CDs.
A paixão pela música erudita o levou ao rádio, onde passou a produzir e apresentar o programa ''A Música dos Grandes Mestres'', que nesta quinta-feira está comemorando 20 anos no ar. ''A idéia surgiu inicialmente na década de 50, quando eu tinha uns 14 ou 15 anos'' conta ele. ''Na época, uma emissora de Blumenau transmitia um programa dedicado ao compositor Beethoven. Eu ouvia, mas achava as obras (os ''Quartetos'') escolhidas muito pesadas. Ficava imaginando, então, que um dia eu apresentaria um programa de rádio no qual só entrariam as peças mais acessíveis dele''.
O sonho foi concretizado tempos depois em Londrina. ''A Música dos Grandes Mestres'' entrou no ar há exatamente duas décadas, na extinta rádio Cruzeiro FM (hoje Igapó FM). A partir de 1996, passou a ser transmitido pela rádio Universidade FM. Entre uma e outra, ficou fora do ar apenas três semanas. A fórmula sempre foi a mesma: execução de música erudita de todas as épocas intercalando as obras com informações sobre a peça e o compositor.
''Muitas pessoas dizem que música clássica é música para boi dormir. Não é não. Toco músicas para acordar toda a boiada, para não deixar ninguém dormir. Procuro selecionar músicas que cativem o público'' diz ele. O programa, atualmente gravado, já foi apresentado ao vivo. Nessa fase, havia sorteio de discos entre os ouvintes. A mudança de formato, contudo, não cortou os laços com a audiência. ''O pessoal sempre telefona para opinar, dar sugestões e pedir informações'' explica.
Além de Beethoven, sua lista de compositores favoritos inclui nomes como Bach, Mozart, Vivaldi, Strauss, Tchaikovsky, Verdi, Berlioz, Paganini, Mendhelson, Mussorgsky, Carlos Gomes, Villa-Lobos e Amaral Vieira. Este último, único vivo da lista, é descrito por Makowich como um ''monstro, o maior de nossos compositores atuais''. Lamentando a pouca divulgação de música erudita na mídia, o apresentador diz que ''a música popular tocada em rádio é o cachorro quente do cardápio de lanches enquanto que a música clássica é o prato refinado da cozinha francesa''.
Sua militância em favor do gênero, entretanto, nunca se limitou ao rádio. Entre 1985 e 1993, manteve uma coluna semanal na Folha de Londrina. Posteriormente, escreveu no Jornal de Londrina. E durante 12 anos foi tesoureiro do Festival de Música de Londrina, além de ter participado da já extinta Associação dos Amigos do Festival. Ele confessa, todavia, que não fecha os ouvidos para outros ritmos musicais:
''Acho que existem dois tipos de música: a boa e a ruim, e esta última a gente não ouve. Além de música de concerto, gosto de música caipira de raiz, música russa e música folclórica alemã. Pretendo, inclusive, propor um programa de música alemã na rádio da Universidade'' anuncia. Morando em Arapongas, Makowich é médico de profissão há 37 anos, piloto de avião e pintor nas horas ociosas. ''A pessoa, para ser realizada, tem que ser polivalente'' acredita.
Para o programa comemorativo de aniversário de 20 anos, ele selecionou três peças de Beethoven: ''Sinfonia do Destino (último movimento da Sinfonia nº 5)'', ''Concerto para Violino e Orquestra'' e ''Momento de Glória''. Vai ao ar às 22 horas, com reapresentação no domingo às 19 horas.
Serviço:
- Hoje: programa ''A Música dos Grandes Mestres''. Horário: 22 horas. Rádio Universidade FM. Reapresentação no domingo, às 19 horas.


