Curitiba - A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) comemora amanhã 20 anos. A data é marcada por um concerto difícil, que poucas orquestras se arriscaram a realizar: a 8 Sinfonia de Bruckner. O concerto já foi apresentado na última quinta-feira e retoma a apresentação hoje para lembrar o dia em que a orquestra fez a sua estréia: 28 de maio de 1985. O grupo não foi formado por uma decisão simples e dependeu da boa vontade de muita gente para inaugurar. As duas décadas que se seguiram também não foram fáceis para a orquestra, que nunca teve uma sede e até hoje patina na burocracia para ver seu quadro de músicos aumentar. Para se ter uma idéia, orquestras públicas de São Paulo e Porto Alegre, tem uma média de 100 músicos em seu quadro fixo. A OSP tem 50, mais 18 em cargos de comissão. Cada vez que um concerto mais sofisticado, como o de hoje, precisa ser realizado, a orquestra pede reforço. Para esta apresentação, 30 músicos foram contratados. ''Mas a OSP está passando por um processo de retomada'', considera o maestro Alessandro Sangiorgi. Como exemplo, ele cita a Ópera Bohéme, de Puccini, a ser apresentada em junho, depois de uma lacuna de oito anos sem uma ópera no repertório. A empreitada está sendo realizada em parceria com o governo italiano. Além de músicos e cantores italianos integrarem o elenco, o projeto também prevê um intercâmbio, levando músicos da OSP para a Itália.''As parcerias são fundamentais para essa nova fase da orquestra'', diz Sangiorgi.
Há três anos à frente da OSP, Sangiorgi convive com os reflexos da falta de uma estrutura definida para o corpo estável do Centro Cultural Teatro Guaíra. Um maestro mais antigo, Emanuel Martinez, que integra o corpo da orquestra desde a sua inauguração conta que a ''falta de vontade política'' atravessa governos. ''Hoje o número de músicos contratados é menor do que quando a orquestra inaugurou'', diz. Durante essas duas décadas ele viu bons músicos deixarem a OSP por conta da falta de estrutura. ''E do jeito que as coisas vão, não vejo um bom futuro. Depois da ópera, por exemplo, não temos nenhuma programação definida'', denuncia.
Para ele, dois pontos são fundamentais para contemplar o sucesso da orquestra: a definição do regime de contratação dos músicos com cargos comissionados, concomitante com o aumento do quadro, e a definição de uma sede para orquestra. Martinez revela que os ensaios da OSP são prejudicados, já que os horários dependem da programação do Teatro Guaíra. ''Temos que dividir os ensaios com formaturas e peças que vêm para Curitiba. Muitas vezes não podemos ensaiar por conta disso'', revela o maestro.
Ele já ouviu muitas versões sobre uma provável sede, as mais recentes cogitando o Centro de Convenções como um possível local e também a compra de um terreno pelo governo do Estado para esse fim,. ''Mas nenhuma concreta. Acho que uma sede para a orquestra não pode ser apenas uma sala, precisa ter uma estrutura maior, como uma acústica específica e um ambiente adequado para armazenar os instrumentos'', diz lembrando ainda que os próprios instrumentos da orquestra também estão defasados.
Mazelas à parte, a própria existência da orquestra - e sua sobrevivência - é motivo de comemoração para alguns. Essa é a opinião do tenor Ivo Lessa, um dos fundadores da OSP no então governo de José Richa. ''A qualidade dos músicos também melhorou muito. O problema da orquestra é a falta de gerenciamento, mas para isso não existem culpados. Precisamos é superar essa questão'', considera.

Serviço:
- 20 anos da Orquestra Sinfônica do Paraná. 8 Sinfonia de Bruckner. Amanhã, às 20 horas no Teatro Guaíra. Ingressos a R$ 5,00.

mockup