A escassez de recursos públicos não poupou as editoras universitárias. Desde a década passada, elas tentam reagir ao sufoco buscando autonomia financeira para garantir a publicação de teses. As soluções vão desde o lançamento de títulos didáticos à tradução de autores consagrados, passando pela multiplicação de suas livrarias.
A editora da Unicamp foi uma das que diversificaram seu catálogo para enfrentar o fim do subsídio ao livro. Seu pacote de lançamentos de fim de ano, contudo, não foge à praxe. Todos os títulos, a maioria na área de ciências sociais, são teses acadêmicas transformadas em livros.
''Mulher, Mulheres Identidade, Diferença e Desigualdade na Relação Entre Patroas e Empregadas Domésticas'' resulta da tese de doutorado de Suely Kofes. O estudo foi apresentado há dez anos no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP.
Também focalizando o universo feminino, ''Dignidade e Transgressão Mulheres no Tribunal Eclesiástico em Minas Gerais (1748-1830)'' é a dissertação de mestrado em História defendida há três anos na Unicamp pela professora Marilda Santana da Silva.
O livro integra a coleção Tempo e Memória, que já conta com 17 volumes, e mostra o envolvimento de mulheres em condições sociais distintas com o Tribunal referido no título do estudo. A obra investiga o quadro de punições a que as mulheres coloniais estavam sujeitas por não seguirem estritamente o código moral católico.
Já trabalhando na fronteira entre história e antropologia, Glória Kok esmiuça os vínculos que índios e jesuítas estabeleceram com o mundo sobrenatural em ''Os Vivos e os Mortos na América Portuguesa da Antropologia à Àgua do Batismo''. Se para os tupis-guaranis, o morrer assinalava o momento de passagem definitiva para o plano coletivo, para o cristão a morte implicava recompensa ou castigo pelos atos cometidos em vida, cuja responsabilidade recaía exclusivamente sobre o indivíduo.
A pesquisa baseou-se em extensa leituras de fontes quinhentistas incluindo cartas e relatos de cronistas, viajantes e missionários. Em ''Agricultura Ilustrada Liberalismo e Escravismo nas Origens da Questão Agrária Brasileira'', por sua vez, o professor da Unicamp Fernando Antonio Lourenço analisa os projetos de modernização da lavoura brasileira no século XIX argumentando que as reformas progressistas embutiam discriminação contra os trabalhadores rurais, quase sempre inseridos não na categoria do conceito universal de ser humano, mas sim na de mero braço ou instrumento de trabalho.
''As Elites Políticas de Rio Claro Recrutamento e Trajetória'', por fim, vem enriquecer a bibliografia sobre poder local. De autoria da professora da Unimep, Maria Beatriz Bianchini Bilac, o livro é resultado de uma pesquisa original sobre prefeitos e vereadores de Rio Claro (SP) no período que compreende a transição do Império à República até o golpe militar de 1964.
A autora disseca a constituição da elite política rio-clarense no quadro da oligarquia cafeeira paulista revelando como clivagens básicas da política nacional se traduzem no nível local. Mais informações sobre os lançamentos e o catálogo da editora podem ser conferidos no site www.editora.unicamp.br, ou pelo telefone (19) 3788-1094.

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