O rap volta às prateleiras com três lançamentos da Universal: Jay Z, Dr. Dre e 2 Pac permeiam a cena com letras contundentes. O trio reúne nomes reconhecidos do gênero, que revelam a mesma origem: garotos que viveram a marginalidade nos guetos negros dos Estados Unidos. Dre já foi acusado de assalto e preso por dirigir embriagado, 2 Pac viveu nas ruas de Oakland e foi assassinado em 1996, Jay Z cresceu no Brooklyn.
Os três se desenvolveram no gangsta rap, mais ligado às ruas e à origem do gênero. Jay Z e Dr. Dre vivem uma carreira em ascensão – ambos já conquistaram o Grammy, acumularam fortuna e fama. 2 Pac, ou Tupac Shakur, enfrentou uma richa com Notorious B.I.G. e foi fuzilado quando estava no trânsito. Meses depois, B.I.G. também foi assassinado.
O selo fundado por Dr. Dre, Death Row Records, foi o responsável pelo lançamento de Snoop Doggy Dogg, agora apenas Snoop Dogg. A mão pesada de Dre permanece em letras carregadas de palavrões e nas gírias dos guetos. Em ‘‘2001’’, o novo disco, Snoop Dogg aparece em ‘‘The Next Episode’’, ‘‘Bitch Niggaz’’ e ‘‘Still D.R.E.’’.
Jay Z também reflete as cores das ruas norte-americanas. O rapper se inspira em fatos que presenciou para construir uma obra instintiva, em que letra e música nascem simultaneamente. Muitos olharam torto quando ele fez um dueto com Mariah Carey e passou a circular em carrões. Mas Jay Z costuma negar a influência do sucesso e garante que o passado continua presente em suas composições. O disco ‘‘Jay Z vol. 3 – Life and Times of S.Carter’’ exclui o açúcar para manter um pé no gangsta.
‘‘Still I Rise’’ é o terceiro disco póstumo de 2 Pac, que aparece ao lado da Outlawz, a banda que o acompanhava com certa frequência. Mesmo saindo após a morte do cantor, o disco não aparenta oportunismo. 2 Pac alcançou a fama e o sucesso com uma produção intensa – os discos póstumos são uma prova –, mas não o suficiente para mantê-lo afastado dos temas que cantava. Antes de morrer, se envolveu em um tiroteio em Manhattan e foi acusado de estupro. Os três lançamentos mostram que, apesar de andar de mãos dadas com o sucesso, o rap ainda tem combustível para rodar.

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