Das marchinhas ao cinema, com sucesso
Das marchinhas ao cinema, com sucesso
O mais antigo compositor brasileiro vivo nasceu em berço, se não esplêndido, pelo menos confortável. Ou seja, a história de vida do carioca Carlos Alberto Ferreira Braga não foi marcada por privações maiores tão comuns na biografia de alguns dos grandes gênios da MPB. Foi boêmio, mas não descambou no ofício. É filho do um certo gerente que trabalhou na fábrica de tecidos Confiança, em Vila Isabel - aquela citada por Noel em Três Apitos. Por pouco Braguinha não foi arquiteto. A música o salvou. Sua primeira incursão musical aconteceu com a formação do conjunto Flor do Tempo, composto também por Almirante e Henrique Brito, que durou de 26 a 28. Eram amadores à serviço da música. Fizeram sucesso.
Juntos, resolveram se profissionalizar. Para tanto, o Flor do Tempo deu lugar ao Bando de Tangarás que, da formação original ficaram apenas Braguinha e Almirante e somaram-se Alvinho e Noel Rosa. No coral - considerado por alguns o primeiro coral urbano do Brasil - Braguinha começou cantando mas acabou cedendo lugar a Almirante, que se tornaria seu cunhado.
Em 31, Braguinha estreou como solista interpretando Cor de Prata e Minha Cabrocha, ambas de Lamartine Babo. Eu cantei um pouco mas, por decisão própria, não quis ser cantor. Eu não me sentia bem como cantor. Eu gostava e ainda gosto de uma coisa: de ser autor. Eu sou um autor- diz Braguinha.
Várias áreasSua estréia como compositor aconteceu em 1930, com Dona Antonha, gravada por Almirante. A partir daí, ele foi emplacando um sucesso carnavalesco atrás do outro. Já em meados da década de 30, sua fama de grande compositor já estava sedimentada. A parceria com Alberto Ribeiro começou em 35. A primeira música: Deixa a Lua Sossegada. Nos Carnavais seguintes, a dupla dinâmica foi fazendo marchinhas e mais marchinhas.
O sucesso maior de Braguinha e Alberto Ribeiro aconteceria em 1938, quando fizeram Oh, Yes, Nós Temos Banana em resposta a Yes, We Have No Bananas, um fox norte-americano que fazia sucesso no Brasil.
Braguinha também se enveredou por outros caminhos. Em 40, por exemplo, passou a realizar dublagens para filmes produzidos pela Walt Disney. Além disso, foi diretor artístico de gravadoras, como a Continental que, a partir de 43, passou a lançar discos com adaptações suas para histórias infantis. E no meio disso tudo, continuou compondo.
No cinema, Braguinha, juntamente com Alberto Ribeiro, também atacou como colaborador em argumento, roteiro e direção. A dupla fez o argumento, entre outros, de filmes como Estudantes (1935), Alô, Alô Carnaval ( 1936), entre outros. Ainda juntos, escreveram músicas para filmes de cineastas estrangeiros como Beleza do Diabo (1952), de Roman Lessage e Eva no Brasil (1956), de Pierre Caron.
Fontes : Enciclopédia da Música Brasileira e Arquivo Folha. Colaboração: José Luis da Silveira Baldy e Samira Prioli Jayme.





