Das borracharias para as bibliotecas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de julho de 1998
Simone Mattos 
A exposição fotográfica Guerrilheiros Sem Espadas - As Experiências Revistas dos Irmãos Villas Boas, que registra mais de 50 anos de história da cultura indígena brasileira, e o lançamento nacional do livro Guarakessaba, de Miguel Von Behr, são algumas das atividades do movimento cultural promovido pela Dana Corporation, empresa recém instalada na região Metropolitana de Curitiba.
Embora não seja comum uma indústria de auto-peças investir em marketing cultural, há mais de dez anos a Dana deixou de fazer os tradicionais calendários masculinos, para se dedicar a projetos educativos e históricos. As palavras são do diretor de marketing da empresa, Luciano Dias Pires Filho.
Desde 85, quando substituímos nossos calendários por outro tipo de material, conquistamos paredes mais nobres que as das borracharias, brincou Pires Filho. No último ano, a empresa investiu US$ 360 mil em projetos culturais, conquistando a simpatia de empresários, revendedores, executivos e da população em geral, fortalecendo sua imagem no mercado.
Na última década, já foram publicados cinco livros: Ninhal, com imagens e histórico sobre o local onde mais de cinco mil aves se reproduzem ao mesmo tempo no Pantanal brasileiro, Lendas, Do Taí ao Chuí e Guerreiros Sem Espada, além do recém-lançado Guarakessaba.
Esta última publicação é o resultado de um importante e pioneiro trabalho de Miguel Von Behr, onde são revelados aspectos da fauna e da vegetação de um dos mais importantes santuários ecológicos do Paraná. Uma tiragem de 3.500 edições será distribuída em bibliotecas de todo o Brasil.
150 destes livros serão doados ao Instituto Pró Cidadania de Curitiba, para que sejam revendidos pela entidade, explicou a diretora da Andrade Vieira Arte e Cidadania, Maria Christina Andrade Vieira, que está apoiando o evento em Curitiba. As bibliotecas da Universidade Federal do Paraná, da PUC/PR e da Fundação Cultural de Curitiba receberão vinte livros cada.
O evento também trouxe à Curitiba o indianista e sertanista Orlando Villas Boas, que participou da abertura da mostra e do lançamento do livro. Ele fez uma palestra sobre seus 42 anos de convivência com os índios.
Pires Filho explicou que os critérios são rígidos na escolha e um tema que poderá se transformar em livro, exposição e palestra. O assunto tem que ser genuinamente brasileiro, ter um conteúdo rico e denso, permitir um alcance popular e ter grande potencial de desdobramento em atividades diferentes.
Partindo deste princípio, as exposições promovidas pela Dana já percorreram fábricas de automóveis, estações de metrô, shoppings e universidades. Em Curitiba, a mesma mostra que está agora no Memorial da cidade, já ficou dez dias na Volvo. Agora o projeto está sendo negociado com a Crysler, contou.
Segundo o diretor de marketing, entre os próximos temas que serão explorados poderão estar a Escola e o Futebol. Pesquisaremos profundamente os temas, mostrando as origens, as raízes e os porquês de cada um deles, antecipou.


