D'Artagnan existiu realmente
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quinta-feira, 18 de julho de 2002
France Presse 
Lupiac, França - Alexandre Dumas, cujo bicentenário a França comemora este ano, deu celebridade literária e dimensão mítica a d'Artagnan, personagem de seu romance ''Os três mosqueteiros'', mas Charles de Batz, senhor de Castelmore e conde de d'Artagnan, existiu realmente.
Foi na biblioteca de Marselha que Alexandre Dumas encontrou um dia, por acaso, um velho livro: as memórias apócrifas de ''Monsieur d'Artagnan'' publicadas por Courtils de Sandras, em 1700, ou seja, 27 anos depois da morte do capitão lugar-tenente da primeira companhia de Mosqueteiros do Rei.
Entusiasmado pela vida desse gentil-homem, Dumas a tomou para si e tratou de embelezar e transformar o fato histórico em pura invenção literária.
No que diz respeito à verdade histórica, Charles de Batz nasceu em 1611 no castelo de Castelmore, modesta residência situada no povoado de Lupiac, que alberga hoje o Centro d'Artagnan, museu dedicado ao herói local.
Seu pai, Bertrand de Batz, foi um fidalgo sem fortuna, e sua mãe, Françoise de Montesquiou, descendia de uma prestigiosa linhagem, os senhores de d'Artagnan de Bigorre, cujo nome Charles adotou.
Até os 20 anos, o jovem Charles deixou a casa da família para ir morar em Paris, onde ingressou como cadete no regimento dos Guardas Franceses, passando, em 1644, ao corpo de Mosqueteiros do Rei.
Em 1646, passou a servir o cardeal Mazarino, que o encarregava de ações secretas e missões de confiança.
Não se sabe muita coisa sobre sua vida entre 1630 e 1646. Supõe-se que o jovem d'Artagnan dividia seu tempo entre os campos de batalha e breves estadas em Paris. Em 1659 casou-se com Charlotte-Anne de Chanlency, rica viúva de uma família de Borgonha, mas o casamento só durou seis anos.
Foi sendo promovido até ser nomeado capitão dos Mosqueteiros. Morreu em 1673 baleado quando participava de um cerco a Maastricht.
Em reconhecimento aos serviços prestados por seu oficial mosqueteiro, Luis XIV apadrinhou os dois filhos de d'Artagnan.
No personagem de Dumas se encontram elementos verdadeiros da vida de Charles de Batz, como o grau de capitão dos mosqueteiros e sua morte em Maastricht, mas outros episódios e personagens, como o do colar da rainha, a malvada Milady ou sua participação no cerco de La Rochela são pura invenção.


