Darlene reencontra a glória
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segunda-feira, 04 de maio de 1998
Celso Mattos 
Reprodução/MancheteDarlene Glória estará amanhã em Curitiba, lançando seu livro Uma Nova Glória, no Cine Fest VídeoExistem pessoas que conseguem ser mais intensas que a própria vida. Darlene Glória é uma delas. Mesmo longe dos refletores, ela continuou sendo uma estrela no mais raro e misterioso sentido que o cinema deu a esse conceito. Em 1974, quando o Brasil vivia o auge do regime militar, Darlene também vivia o auge de sua glória e decadência. Ela acabava de interpretar a personagem Geni no filme Toda Nudez Será Castigada, dirigido por Arnaldo Jabor e vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. A atriz estava em seu melhor momento artístico, mas também na pior fase de sua vida pessoal.
Símbolo sexual dos anos 60 e 70, Darlene Glória estava afundada nas drogas e no álcool, vivendo um processo que poderia levá-la à morte. Todos os dias eu fazia um coquetel de bebidas, drogas e remédios. Minha vida era um inferno, relembra a atriz. A saída estava no porão de uma igreja evangélica, em Madureira, Rio de Janeiro, onde Darlene se converteu em 26 de agosto de 1974, abandonando uma carreira de sucesso no cinema para se dedicar à religião. Logo em seguida, ela se casou com o pastor Marcos Brandão e passou a ser chamada de Helena Brandão, assumindo seu nome de batismo que é Helena Maria Glória Viana.
Arquivo/FLA atriz em 1973, antes de se converter, vivia o auge de sua fama e decadência
O casamento que durou 14 anos, acabou de forma melancólica. Ele me trocou por uma mulher 30 anos mais jovem. Foi um grande golpe. Nós dois nos completávamos demais, desabafa. Para curar a dor de cotovelo, Darlene foi morar nos Estados Unidos, onde durante cinco anos fez pregações, trabalhou como baby-sitter, limpou casas, escritórios e vendeu salgadinhos na rua durante a Copa do Mundo de 1994.
No ano passado, ela voltou ao Brasil decidida a retomar sua carreira artística. Darlene já tinha tentado isso antes. Em 1985, ela atuou no Caso Verdade Todo Pecado Será Perdoado, produzido pela TV Globo e também fez uma participação especial na novela Araponga. Mas eu ainda não estava totalmente preparada para voltar, afirma. Agora, a realidade é bem diferente. Além de estar lançando um livro sobre sua vida, Darlene acaba de estrelar o filme Até Que a Vida nos Separe, do cineasta José Zaragoza, no qual atuou ao lado de Alexandre Borges, Betty Goffman, Julia Lemmertz, Marco Ricca e Norton Nascimento. Além deste filme, ela fará ainda Uma Rosa no Caminho e Estrada Mamoré, ambos de Roberto Mauro.
A atriz se prepara também para sua volta aos palcos para interpretar a cantora Maysa numa peça dirigida por Miguel Falabella. A produção de um CD gospel em parceria com seu filho Rodrigo e um filme sobre sua vida que será dirigido pelo cineasta Roberto Faria são outros projetos que estão a caminho. Sobrevivente dos momentos cruéis, Darlene Glória soube encontrar estratégias para se manter viva e evitar a derrota. Quando saiu de cena, os refletores continuaram acesos, pois sabiam que um dia ela voltaria iluminada, como sempre.


